quinta-feira, janeiro 13, 2005

Blitzkrieg-I

Recebi no natal um livro chamado “The Myth of the blitzkrieg”. É um livro revisionista (não, não nesse sentido), na medida em que põem em causa numerosas ideias feitas que habitualmente se tem sobre aspectos militares da II Guerra Mundial; muitas ideias já tinham sido formuladas em outras obras especializadas, mas ele sintetiza-as.
Bem, um dos “mitos” que ele contesta é a da superioridade dos tanques alemães (que lhes teriam dado a vantagem contra os franceses e soviéticos no princípio da guerra), assim como a utilização de forma “moderna” em amplas divisões blindadas, ao contrário dos aliados que os repartiam. Sem me aprofundar muito em detalhes técnicos, 2/3 dos tanques alemães eram o que se chama “tanquetes”, armados com metralhadora ou canhão muito ligeiro e destruídos por simples metralhadoras; o seu 1º verdadeiro tanque o Mark 3 tinha um canhão já ultrapassado (37 milímetros) incapaz de furar os melhores tanques franceses (que usavam um canhão de 47 milímetros e que perfuravam os alemães como manteiga). O tanque seguinte o Mark 4 eram em número demasiado baixo para influir no conflito. Os franceses em 1939 tinham maior número de tanques bons e sobretudo, até começar o conflito propriamente dito em 1940, produziram-nos em maior quantidade que os alemães (que mal conseguiram repor as perdas na Polónia). E porque é que os tanques franceses tinham maior protecção? Não porque usassem muito maior blindagem (embora também o tivessem), mas porque utilizavam um determinado ângulo que melhorava a protecção deles (os que utilizaram esse sistema com maior eficácia foram os soviéticos com o seu T-34). No entanto os tanques alemães tinham algumas vantagens: rádio (o que permite trabalhar em equipa), 2 homens por torre o que permitia apontar e disparar a maior velocidade e sobretudo eram tanques mais rápidos com maior autonomia; embora o autor desvalorize estes factores, creio que são muito importantes no decorrer da batalha. Os franceses como tinham tanques em grande número, puderam usar tanques como suporte de infantaria e como divisões blindadas.
Outro mito: os franceses construíram poucos tanques (já vimos que é mentira) devido à linha Maginot. Ora esta foi construída sem impedir os recursos para as outras armas (ao contrário dos franceses que tinham um império colonial para espoliar à vontade, os alemães ficaram com poucos tanques porque também apostaram numa linha de fortificações a ocidente e outra a leste com a Polónia).

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