quinta-feira, agosto 02, 2007

A História de Genji-final

Terminei este verão a leitura do romance "A história de Genji", que vou resumir agora.
A mulher que dá um filho a Genji (a jovem Akashi), tem como principal dote saber usar o Koto (uma espécie de guitarra) de forma exímia; o mesmo com sawflower. Murasaki não tem qualquer capacidade especial (por culpa de Genji que reconhece que falhou na sua educação) mas é bonita.
Quando chega a vez de escolher uma nova imperatriz, é feito um concurso de pintura, em que facções rivais se disputam (cada facção tem de num prazo limitado perante uma assembleia de pintar temas de livre escolha); a facção vencedora é a de Genji (contra Tono) e é a filha de Genji (a jovem Akashi) que é escolhida como nova imperatriz. Aliás, a avó materna da jovem Akashi é considerada um paradigma da sorte: mulher de um vice-governador sem importância, tornou-se monja juntamente com o marido numa zona longínqua, sem perspectivas para a filha, quando esta se torna concubina da pessoa mais poderosa do país, e eles acabam por tornar-se avós de uma imperatriz e bisavós de príncipes imperiais.
Outras amadas de Genji sabem bem escrever quer na forma (a caligrafia em si é uma arte para os japoneses), quer no conteúdo (as missivas nunca são feitas descrevendo algo directamente, mas sempre com recurso a poemas, que são extremamente crípticos para ocidentais).
A vida de Genji segue como sempre: festas, concursos de poesia, de caligrafia e pintura e um ocasional flirtanço. Até que o seu irmão o imperador retirado Suzuku que tem uma especial predilecção por uma das filhas (a terceira princesa) e decide arranjar-lhe um marido. O problema é quem? Como a sua mãe não era uma pessoa importante, não haveria ninguém na corte para apoia-la. Mesmo assim vários candidatos apresentam-se imediatamente, nomeadamente um dos filhos de Tono (Kashiwaga), mas Suzuku decide convencer o seu irmão a Genji a casar com ela. Genji sabe que isso irá desagradar a Murasaki (afinal uma princesa imperial tem sempre estatuto e poderia servir de rival) mas decide seguir em frente e casar com a sobrinha. Murasaki mantém as aparências e faz boa cara, mas as restantes esposas de Genji não são tão amáveis, pois devem muito a Murasaki e ignoram como será a nova esposa. Esta acaba por viver em semi-reclusão de algum modo infeliz. E é aí que entra em jogo Kashiwaga: este que acabara por casar com uma irmã da terceira princesa (a segunda princesa) como prémio de consolação, mas não a esquece e depois de várias artimanhas, consegue entrar no palácio de Genji e viola-a. Ela nada pode dizer, pois mesmo forçada ficará mal vista; ele sente remorsos (por ter enganado Genji, não pela violação), escreve-lhe e essa correspondência acaba por cair nas mãos de Genji (que fica espantado por os textos serem tão directos e comprometedores, coisa que ele nunca fazia). Embora desagradado, quer acima de tudo manter as aparências (o escândalo danificaria as suas relações com os Fujiwara e o Suzuku) e embora nasça uma criança, ele acaba por se ligar ao bebé. Ele acaba por encarar toda a situação com fatalidade, pois relembra-se do que sucedera anos antes com Fujitsubo.
A acção vai a partir daí passar de Genji para outras personagens (que entra na sombra e torna-se cada vez mais melancólico, sobretudo depois da morte de Murasaki): Kashiwaga, Yugiri e outros da geração seguinte, em diversos capítulos, até que Genji morre.
Kashiwaga morrera de depressão, e Yugiri que fora seu amigo (e acabar por descobrir a história do amigo), apoia a viúva do amigo; com o tempo apoia-a financeiramente, mas portando-se sempre de forma impecável, não levantando a mínima suspeita; um dia tenta violá-la, mas ela corre depressa e fecha-se num quarto. Ele não se demove e consegue que ela fique isolada de amigos sendo obrigada a viver como sua concubina (com a aprovação da família de Tono, que tem menos um encargo financeiro com que se preocupar).
Esta nova geração é nas aparências menos estouvada do que a precedente, e sendo menos glamorosa, tem de recorrer a diversas artimanhas para conseguir conquistaras as mulheres, mas são também personagens mais realistas e menos idealizadas.
Passam diversos anos e seguem-se as aventuras do suposto filho de Genji (Kaoru) e o neto Niou (que é príncipe imperial). Estes são amigos e descobrem que um outro príncipe irmão de Genji vive retirado na pobreza (de acordo com os seus padrões) e como descobrem que são bonitas e tocam bem o koto, tentam convencer o príncipe a dar-lhes as filhas em casamento (partilhando-as entre si por acordo), mas ele morre sem consentir.
Niou viola uma delas (casando mais tarde com ela) e a outra morre de depressão. Kaoru que fica desgostoso pela morte da jovem que lhe estava destinado e apaixona-se pela jovem que ficara com o seu amigo; como estabelecer relações com ela é complicado, acaba por descobrir uma terceira irmã (não reconhecida), que vive na província. Ele tenta casar com ela, leva-a para uma casa, mas Niou interessa-se por ela e ela dividida entre dois amores (acabando por fazer amor com Niou sem grandes alternativas, quando Kaoru nunca a obrigara a nada) atira-se ao rio. Ambos os amigos ficam desgostosos, mas descobre-se mais tarde que a jovem sobreviveu e fica a viver num mosteiro. Kaoru tenta que ela volte para ele mas ela recusa e assim termina a história.

2 comentários:

Beky disse...

oi...
eu estava pesquisando a internet sobre a história de genji e achei o seu blog..
vccê tem o livro?
se sim, poderia me informar onde vc conseguiu? eu gostaria de adquirir, mas não achei lugar nenhum onde venda..
obrigada

quirites disse...

Desculpe só agora ver. Eu tenho o livro e foi uma prenda de anos (comprada nos USA). Existe uma edição portuguesa (que não tem todos os capítulos).