quinta-feira, outubro 12, 2006

O Corão

Nos últimos tempos dediquei-me à leitura do Corão. Li metade e desisti.
Na tradição, o Corão é apresentado como sendo as palavras de Alá, ditadas a Maomé pelo Anjo Gabriel (610). Sendo analfabeto, Maomé teria contado aos seus companheiros as revelações que teriam sido passadas a escrito. O problema é que esses escritos circulavam mais ou menos livremente, sem se procurarem juntar num livro. Depois da morte de Maomé, o primeiro califa encarregou Zaid (que fora escravo e depois uma espécie de secretário de Maomé) de reunir todos os escritos e ditos do profeta que eram transmitidos oralmente pelos seus antigos companheiros (o critério de selecção, era um verso estar escrito ou ser recordado por duas pessoas). Só que outros antigos companheiros tinham tido a mesma ideia, e fizeram a sua própria compilação, o que começou a provocar confusão. Um novo califa ordenou então que se fizesse uma nova compilação e esse Corão seria o definitivo, devendo todas as versões anteriores serem destruídas. Mesmo assim o mais antigo exemplar completo que resta é do séc. X (o tempo é pouco amável para os materiais perecíveis).
A versão que li é escrita em francês e tem um excelente estudo crítico, com uma boa introdução e numerosas notas de rodapé que explicam o sentido do texto (muitas vezes obscuro para quem não foi educado no Islão). Na introdução é apresentada a sociedade árabe pré-islâmica. Vemos o estado miserável em que as mulheres eram tratadas (o divorcio por parte dos homens era feito sem quaisquer restrições, o assassínio dos bebés do sexo feminino também). O álcool e jogo eram considerados como problemas sérios da sociedade.
O Corão tem 2 influências: a Bíblia (são constantemente referidos episódios, mesmo que tenham por vezes pequenas variantes, o que não é de admirar, dado que Maomé se apresenta como um sucessor de Abraão, Moisés e Jesus) e a literatura árabe pré-islâmica (a cultura onde Maomé foi educado).
O Corão é constituído por “suras” (capítulos). A sua organização parece ser relacionada com o período em que os ditos foram pronunciados (se no exílio em Medina, se em Meca, etc), dado que por vezes fazem referência (mesmo que de forma indirecta) a acontecimentos reais. Os seus temas são muito variados desde coisas genéricas (a bondade de Alá, a necessidade de creditar nele de forma sincera e não apenas para salvar as aparências) a aspectos práticos do dia-a-dia (em que condições se pode divorciar um homem). Existem por vezes aspectos contraditórios; os estudiosos consideram que nesses casos, um verso mais recente anula o valor do anterior.
A minha opinião pessoal: achei a leitura extremamente aborrecida. O Corão é poético e eu não sou apreciador de poesia (detestei ler o livro dos salmos, assim como os vários livros de profetas no Antigo Testamento), É uma questão de gosto pessoal. Também a constante repetição de temas (dada a génese que teve é normal) aborrece-me. Os temas também não são particularmente aliciantes (referências do que se deve fazer para agradar a Alá, e aspectos jurídicos que podemos considerar reguladores da sociedade).
Isto quanto à forma. Quanto ao conteúdo. Apresenta normas que devem ser aplicas à sociedade (de modo semelhante ao do Antigo Testamento. Simplesmente, enquanto que as normas do AT são obrigatórias, sem apelo nem agravo, as do Corão apelam sempre ao perdão e reconciliação por parte do ofendido. Um marido pode legalmente divorciar-se da esposa (se forem cumpridas uma série de requisitos), mas era melhor que ele não o fizesse. Comparando com o Novo Testamento, este tem uma moral mais elevada e difícil de aplicar como o perdão das ofensas (mas o NT não procura legislar sobre uma sociedade, mas apresentar uma moral para pessoas que se consideravam diferentes da sociedade que os rodeiava). O Corão é extremamente flexível, podendo adaptar-se a imensas situações, mas dependendo da interpretação de quem o lê. E a ausência de uma autoridade suprema (de um califa) que sirva de guia, significa que qualquer estudioso qualificado pode dar a interpretação que bem entender e ser válido.

14 comentários:

João Moutinho disse...

Acredito que esteja a ser um pouco despropositado mas informo-o que tenho dedicado o meu blog essencialmente ao estudo do Alcorão.

Parca disse...

Sim, já fui ao seu blog. Já agora, pode dizer-me o que acha do meu post, atendendo a que percebe mais do assunto do que eu?

João Moutinho disse...

Parca,
Não há nada que garanta que eu saiba mais do que o Parca.
Muito sinceramente gostei muito do post. E penso que as informações transmitidas são as correctas.
Quanto á aceitação da versão deifinitibva do Alcorão poderia ter referida que tal foi feita sob orientação do terceiro Califa, Othman, e testmunhada por vários muçulmanos reconhecidos, de entre eles a referir Ali, genro dO Profeta.
Por outro lado, a minha visão sob Maomé é de que Ele é um Manifestante Divino e, como tal, com um conhecimento muito acima de qualquer homem ou mulher.
Assim, o Alcorão foi Revelado sem qualquer influência humana. Ou seja, Maomé não foi influenciado na sua forma de pensar ou agir pela sociedade que O rodeava mas sabia que a Sua Mensagem não poderia ultrupassar certos limites cujos homens ou mulheres não poderiam entender.
Isto é, se há semelhanças entre a Bíblia e o Alcorão é porque as sociedades a que as Mensagens foram transmitidas necessitavam de "remédios" parecidos.

João Moutinho disse...

Devia ter escrito o texto em word para depois fazer a correccção.
Mas entende-se.

Parca disse...

Bem, isso é já uma questão de fé. Um livro revelado para os seus crentes é sempre por influência divina, sendo o profeta uma mera coreia de transmissão (existe a excepção de S. Paulo no caso do privilégio Paulino, mas isso é caso único).

João Moutinho disse...

Eu quis ressalvar o facto de a minha perspectiva acerca do Alcorão ou Maomé se basear, antes de tudo, numa atitude de Fé.

Anónimo disse...

eu acho que as religioes nao se discutem ... partilha-se. afinal o q e´a Fé??????'''''''''........ é o q o homem quizer.

Anónimo disse...

se eu te amar loucamente perdidamente e ser fiel a esse amor e tu ao meu entaõ és um Deus para mim,será q Deus naõ é só Amor,o resto é do Espirito Santo,e o q sobrar... dêm ao filho,e depois ao pai.

Anónimo disse...

allô está aí alguém ??????? Parca... Joaõooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo. entaõ q raio de gente é q saõ ? só falam os dois,é?'... GRANDE FÉ Q TÊM NO RESTO..............................

Anónimo disse...

As religiões não podem ser modernizadas,sob pena de cairem no descredito!

Têm que ser aceites como foram criadas com as suas infatilidades, que seriam crediveis há seculos e que hoje rondam o ridiculo!

Não existem diferenças entre o islão o cristianismo, o budismo, o judaismo ou o hinduismo; partem todas, de citações de desconhecidos, e que mais tarde foram atribuidas aqueles que se pretendia santificar!

Em todas elas é o dogma que prevalece, sendo ferozmente defendido pelos fundamentalistas, tal como outrora o fizeram os cruzados, e agora algumas seitas islamistas!, que igualmente matam em nome de Deus!

Por conseguinte, Biblia, Corão ou Thora, qual deles está certo?

Todos; e nenhum!

Será uma resposta razoável!

Anónimo disse...

DE TODAS AS RELIGIÕES, A CRISTÃ, SERÁ A UNICA QUE TEM NECESSIDADE DE
RENOVAR, CONSTANTEMETE, O SEU STOCK DE SANTOS!

O ISLÃO NÃO TEM SANTOS; NEM CONSENTE A REPRODUÇÃO GRAFICA DOS PROFETAS, ENQUANTO QUE O CRISTISMO, VAI ADITANDO NOVOS AOS JÁ EXISTENTES;

E, A FACILIDAE COM QUE HOJE SE CANONIZAM POR TUDO E POR NADA OS NOVOS SANTOS, PÕE EM CAUSA A LEGITIMIDADE DOS JÁ EXISTENTES, E QUE FORAM ENTRONIZADOS NUMA EPOCA EM QUE A IGREJA SE SOBREPUNHA Á CIENCIA!

NÃO SOU DOGMATICO, NEM ACEITO O DOGMA. NÃO POSSO ACREDITAR CEGAMENTE NUMA COISA QUE NINNGUEM CONSEGUE EXPLICAR!

OU, QUANDO EXPLICA, É COM BASE NAQUILO DE QUE SE OUVIU FALAR!

Anónimo disse...

ESTE GAJO OU É ATEU, OU ANDA LA PERTO.TERÁ AS SAS RAZÕES!

MAS SE O ATEISMO É A VACINA CONTRA OS PERIGOS DAS RELIGIÕES, ESTARÁ CERTO!

JOÃO MUTINHO DIZ QUE TEM DEDICADO O SEU BLOG ESSENCIALMENTE AO ESTUDO DO CORÃO. TERÁ MUITO QUE ESTUDAR PARA ATINGIR A PERFEIÇÃO DOS PUTOS PAQUISTANESES QE FREQUENTAM AS MADRASSAS E QUE LEVAM MUITO ANOS PARA SE TORNAREM TERRORISTAS CREDECIADOS!

Anónimo disse...

Uma grande parte das religiões com origem no "novo mundo", foram criadas para sacar dinheiro aos pobes, e lavar o dinhero dos ricos!

Têm prolirferado e prosperado nos paise africnos e sul-aercanso, onde o obscurantismo impera. Daí se infere a razã de ser da sua existênciia e da sua mportância!

Se o crime de burla é punido por lei, porque razão não são puidos todos os que tentam vender o céu em "time shering"

Enquanto as religiões cstituirem um negocio lucrativo, ou uma arma para derimir questões pliticas, não poderemos acreditar nas boas intenções , dos que se dizem salvadores de almas!

Na baixa de Joaesburgo, vi um placar da sacrossanta Iurde que diza:- "Jesus. estamos à tua espera"

E, que alguem colocou na parte de baicho: "com o martelo e os cravos na mão"!

Uma grande parte das religiões, e de entre elas a catolica, deviam transformar-se em associções de benemerência, praticando o bem, sem esperar recompesa para além da paz de espirito, que o be-fazer proporcion!

Os missionarios que precediam a conquista, utilizavam, para fazer , novos cristãos, argumento da cruz ou do fósforo!

Se alguem me der troco, haverá mais!

Anónimo disse...

pelos vistos Ala cortou o pio aos infieis