segunda-feira, novembro 15, 2004

A guerra do Peloponeso-I

Comecei a ler a “História da guerra do Peloponeso”; ainda vou no princípio (os coríntios estão na assembleia a tentar convencer os espartanos a declarar guerra aos atenienses), mas parece-me um bom pretexto para escrever.
A guerra começou como muitas outras com um insignificante incidente, tendo raízes profundas.
Atenas criara em consequência das guerras médicas uma aliança defensiva, a liga de Delos (ou confederação ateniense). Cada cidade deveria fornecer tropas, barcos e dinheiro de acordo com as suas possibilidades, tendo cada uma direito a voto; com o passar dos tempos (dado que Atenas mantinha um política agressiva), as cidades desinteressaram-se de arriscar homens e passaram a pagar unicamente dinheiro, ficando Atenas com a direcção total da liga, sem se incomodar em consultar os seus aliados que passavam progressivamente à condição de súbditos; Atenas passou também a imiscuir-se nos assuntos internos das cidades (chegando ao ponto da justiça ser administrada por juízes seus) e impondo o seu regime (democracia), o que levaria a imensos conflitos. Curiosamente, a autoritária Esparta, era muito mais tolerante: os membros da sua liga (liga do Peloponeso), podiam ter o regime que bem entendiam que Esparta não se ralava com isso, cada cidade fornecia tropas e dinheiro, mas dado que as guerras eram unicamente defensivas, estas não eram de facto consideradas um peso.
Para quem não sabe, Atenas possuía um regime democrático (de acordo com os critérios da época, que são os que interessam): filho de pai e mãe ateniense, independentemente da riqueza possuía a cidadania, o que lhe possibilitava concorrer a qualquer cargo. Estavam excluídos escravos, mulheres e estrangeiros (metecos). Serviço militar obrigatório para homens livres, Uma assembleia (eclesia), de que qualquer cidadão podia fazer parte, juízes, estrategas (conduziam política externa), arcontes (assuntos religiosos que tinham imenso prestígios). Uma população com aristocratas, comerciantes, artesãos, pequenos proprietários (Platão era nobre parente de Péricles, Sócrates era escultor).
Esparta pelo contrário tinha um regime estranho: dois reis com a direcção militar e religiosa, éforos (que possuíam o que chamaríamos o poder executivo em tempo de paz, e daí serem avessos à guerra que favoreciam os reis) e uma assembleia. A população era composta por cidadãos que tinham uma educação extremamente rigorosa e austera levando a resistência à dor ao limite (a famosa educação espartana), mas com um número de cidadãos cada vez mais em declínio (baixa natalidade, movimento social que levava à concentração das terras em favor de uns poucos e faziam perder outros as suas terras) chamados os “iguais”, os “periecos”- cidadãos que tinham perdido as suas terras ficando sem o seu estatuto, e os famosos ilotas- descendentes dos antigos habitantes da região tendo um estatuto terrível (qualquer igual os podia matar como exercício de treino- em compensação os espartanos tinham um pavor das suas revoltas).

4 comentários:

RS disse...

Qual é a edição que estás ler?

Parca disse...

Uma reedição francesa em 2 volumes. Amanhã dou-te o resto dos pormenores.

Rui Sousa disse...

escrevi alguns artigos sobre Atenas e Esparta no blog http://cloacamaxima.blogspot.com . Passem por lá.

Anónimo disse...

Está enganado caro Parca. a liga defensiva foi protagonizada por Esparta e não por Atenas.