Fiz algumas viagens recentemente e aproveitei para visitar algum património nacional. Vi vários monumentos de interesse, mas aquele que mais me entusiasmou foi o Santuário de Panóias.
Este interessantíssimo monumento foi mandado construir no século II d.C. pelo senador de Roma, Gaio Calpúrnio Rufino, e dedicado aos deuses infernais, nomeadamente Serápis, um deus dos infernos surgido em Alexandria, fruto da necessidade de conciliar os panteões grego e egípcio.
Além de ser um local belíssimo e com vestígios ainda bastante perfeitos, o santuário tem a particularidade, única no mundo, de ter em cada local do santuário indicações escritas que descrevem com algum pormenor cada passo do ritual.
Assim, havia uma primeira estação, aberta a todos os cultos, onde os animais eram mortos, o seu sangue recolhido e assado e as vísceras incineradas. Sucedia-se uma segunda estação, com a indicação que era dedicada aos deuses severos (infernais), e uma terceira, dedicada aos deuses dos Lapitae, supostamente os deuses dos povos indígenas da região. Sucedia-se então a fase em que a carne era assada e comida pelo sacerdote que presidia à cerimónia. Na última fase, haveria uma espécie de representação ritual da morte e ressurreição.
Louve-se ainda que o acesso é muito barato (1,5 euros por pessoa) com direito a um vídeo ilustrativo e a uma visita guiada muito bem feita.
Já agora, quero referir que, segundo o guia que nos levou na visita, o local tem uma média de 15 visitantes por dia, dos quais 6 a 7 são espanhóis. Isto porque grande parte dos estudos arqueológicos e da divulgação turística do local são feitas no nosso país vizinho. Em Portugal, o local teve direito a menção no Expresso há dois anos e pouco mais. Triste, mas típico.
Se não puderem visitar, recomendo a consulta desta página.
sexta-feira, outubro 13, 2006
quinta-feira, outubro 12, 2006
O Corão
Nos últimos tempos dediquei-me à leitura do Corão. Li metade e desisti.
Na tradição, o Corão é apresentado como sendo as palavras de Alá, ditadas a Maomé pelo Anjo Gabriel (610). Sendo analfabeto, Maomé teria contado aos seus companheiros as revelações que teriam sido passadas a escrito. O problema é que esses escritos circulavam mais ou menos livremente, sem se procurarem juntar num livro. Depois da morte de Maomé, o primeiro califa encarregou Zaid (que fora escravo e depois uma espécie de secretário de Maomé) de reunir todos os escritos e ditos do profeta que eram transmitidos oralmente pelos seus antigos companheiros (o critério de selecção, era um verso estar escrito ou ser recordado por duas pessoas). Só que outros antigos companheiros tinham tido a mesma ideia, e fizeram a sua própria compilação, o que começou a provocar confusão. Um novo califa ordenou então que se fizesse uma nova compilação e esse Corão seria o definitivo, devendo todas as versões anteriores serem destruídas. Mesmo assim o mais antigo exemplar completo que resta é do séc. X (o tempo é pouco amável para os materiais perecíveis).
A versão que li é escrita em francês e tem um excelente estudo crítico, com uma boa introdução e numerosas notas de rodapé que explicam o sentido do texto (muitas vezes obscuro para quem não foi educado no Islão). Na introdução é apresentada a sociedade árabe pré-islâmica. Vemos o estado miserável em que as mulheres eram tratadas (o divorcio por parte dos homens era feito sem quaisquer restrições, o assassínio dos bebés do sexo feminino também). O álcool e jogo eram considerados como problemas sérios da sociedade.
O Corão tem 2 influências: a Bíblia (são constantemente referidos episódios, mesmo que tenham por vezes pequenas variantes, o que não é de admirar, dado que Maomé se apresenta como um sucessor de Abraão, Moisés e Jesus) e a literatura árabe pré-islâmica (a cultura onde Maomé foi educado).
O Corão é constituído por “suras” (capítulos). A sua organização parece ser relacionada com o período em que os ditos foram pronunciados (se no exílio em Medina, se em Meca, etc), dado que por vezes fazem referência (mesmo que de forma indirecta) a acontecimentos reais. Os seus temas são muito variados desde coisas genéricas (a bondade de Alá, a necessidade de creditar nele de forma sincera e não apenas para salvar as aparências) a aspectos práticos do dia-a-dia (em que condições se pode divorciar um homem). Existem por vezes aspectos contraditórios; os estudiosos consideram que nesses casos, um verso mais recente anula o valor do anterior.
A minha opinião pessoal: achei a leitura extremamente aborrecida. O Corão é poético e eu não sou apreciador de poesia (detestei ler o livro dos salmos, assim como os vários livros de profetas no Antigo Testamento), É uma questão de gosto pessoal. Também a constante repetição de temas (dada a génese que teve é normal) aborrece-me. Os temas também não são particularmente aliciantes (referências do que se deve fazer para agradar a Alá, e aspectos jurídicos que podemos considerar reguladores da sociedade).
Isto quanto à forma. Quanto ao conteúdo. Apresenta normas que devem ser aplicas à sociedade (de modo semelhante ao do Antigo Testamento. Simplesmente, enquanto que as normas do AT são obrigatórias, sem apelo nem agravo, as do Corão apelam sempre ao perdão e reconciliação por parte do ofendido. Um marido pode legalmente divorciar-se da esposa (se forem cumpridas uma série de requisitos), mas era melhor que ele não o fizesse. Comparando com o Novo Testamento, este tem uma moral mais elevada e difícil de aplicar como o perdão das ofensas (mas o NT não procura legislar sobre uma sociedade, mas apresentar uma moral para pessoas que se consideravam diferentes da sociedade que os rodeiava). O Corão é extremamente flexível, podendo adaptar-se a imensas situações, mas dependendo da interpretação de quem o lê. E a ausência de uma autoridade suprema (de um califa) que sirva de guia, significa que qualquer estudioso qualificado pode dar a interpretação que bem entender e ser válido.
Na tradição, o Corão é apresentado como sendo as palavras de Alá, ditadas a Maomé pelo Anjo Gabriel (610). Sendo analfabeto, Maomé teria contado aos seus companheiros as revelações que teriam sido passadas a escrito. O problema é que esses escritos circulavam mais ou menos livremente, sem se procurarem juntar num livro. Depois da morte de Maomé, o primeiro califa encarregou Zaid (que fora escravo e depois uma espécie de secretário de Maomé) de reunir todos os escritos e ditos do profeta que eram transmitidos oralmente pelos seus antigos companheiros (o critério de selecção, era um verso estar escrito ou ser recordado por duas pessoas). Só que outros antigos companheiros tinham tido a mesma ideia, e fizeram a sua própria compilação, o que começou a provocar confusão. Um novo califa ordenou então que se fizesse uma nova compilação e esse Corão seria o definitivo, devendo todas as versões anteriores serem destruídas. Mesmo assim o mais antigo exemplar completo que resta é do séc. X (o tempo é pouco amável para os materiais perecíveis).
A versão que li é escrita em francês e tem um excelente estudo crítico, com uma boa introdução e numerosas notas de rodapé que explicam o sentido do texto (muitas vezes obscuro para quem não foi educado no Islão). Na introdução é apresentada a sociedade árabe pré-islâmica. Vemos o estado miserável em que as mulheres eram tratadas (o divorcio por parte dos homens era feito sem quaisquer restrições, o assassínio dos bebés do sexo feminino também). O álcool e jogo eram considerados como problemas sérios da sociedade.
O Corão tem 2 influências: a Bíblia (são constantemente referidos episódios, mesmo que tenham por vezes pequenas variantes, o que não é de admirar, dado que Maomé se apresenta como um sucessor de Abraão, Moisés e Jesus) e a literatura árabe pré-islâmica (a cultura onde Maomé foi educado).
O Corão é constituído por “suras” (capítulos). A sua organização parece ser relacionada com o período em que os ditos foram pronunciados (se no exílio em Medina, se em Meca, etc), dado que por vezes fazem referência (mesmo que de forma indirecta) a acontecimentos reais. Os seus temas são muito variados desde coisas genéricas (a bondade de Alá, a necessidade de creditar nele de forma sincera e não apenas para salvar as aparências) a aspectos práticos do dia-a-dia (em que condições se pode divorciar um homem). Existem por vezes aspectos contraditórios; os estudiosos consideram que nesses casos, um verso mais recente anula o valor do anterior.
A minha opinião pessoal: achei a leitura extremamente aborrecida. O Corão é poético e eu não sou apreciador de poesia (detestei ler o livro dos salmos, assim como os vários livros de profetas no Antigo Testamento), É uma questão de gosto pessoal. Também a constante repetição de temas (dada a génese que teve é normal) aborrece-me. Os temas também não são particularmente aliciantes (referências do que se deve fazer para agradar a Alá, e aspectos jurídicos que podemos considerar reguladores da sociedade).
Isto quanto à forma. Quanto ao conteúdo. Apresenta normas que devem ser aplicas à sociedade (de modo semelhante ao do Antigo Testamento. Simplesmente, enquanto que as normas do AT são obrigatórias, sem apelo nem agravo, as do Corão apelam sempre ao perdão e reconciliação por parte do ofendido. Um marido pode legalmente divorciar-se da esposa (se forem cumpridas uma série de requisitos), mas era melhor que ele não o fizesse. Comparando com o Novo Testamento, este tem uma moral mais elevada e difícil de aplicar como o perdão das ofensas (mas o NT não procura legislar sobre uma sociedade, mas apresentar uma moral para pessoas que se consideravam diferentes da sociedade que os rodeiava). O Corão é extremamente flexível, podendo adaptar-se a imensas situações, mas dependendo da interpretação de quem o lê. E a ausência de uma autoridade suprema (de um califa) que sirva de guia, significa que qualquer estudioso qualificado pode dar a interpretação que bem entender e ser válido.
sexta-feira, outubro 06, 2006
Colonização da terra
Este site mostra o modo como a terra foi colonizada pela nossa espécie de acordo com os conhecimentos actuais.
sexta-feira, setembro 29, 2006
Morte de Pirro
Pirro ficou conhecido pelo termo "vitória pírrica". Notável foi a sua morte. Depois de diversas campanhas invadiu a cidade de Argos. Num combate corpo-a-corpo já dentro da cidade (pois Pirro combatia com as suas tropas, não se limitava a comandar), estava quase a matar um soldado adversário, quando a mãe deste que estava no alto da casa a ver o combate, ficou aflita ao ver que o seu filho ia ser morto e atirou uma telha a Pirro, que lhe quebrou o cranio. Assim morria o grande general.
quinta-feira, setembro 28, 2006
Childerico III
Foi o último soberano merovíngio, e “reinou” de 743 a 751. De facto, há cerca de um século que o governo do reino estava nas mãos dos mordomos do palácio. Estes, oriundos da alta nobreza, passavam parte do tempo em conflito com outros nobres que não acatavam as suas ordens, a enfrentar ameaças exteriores e os rivais de outros territórios da França (cada vez que um soberano morria, os seus territórios eram divididos pelos filhos, criando uma corte em duplicado incluindo mordomos do palácio). Os reis por uma sucessão de incompetentes, reis menores e divisão constante do reino tinham ficado reduzidos a um mero papel de reis fantoches. Pepino o breve, o mordomo do palácio decidiu às tantas que era inútil manter a ficção dos reis merovingios e foi coroado rei com a aprovação do Papa. Mas o cerimonial era muito diferente: os merovingios sempre tinham sido soberanos por direito próprio, sendo aclamados pelos guerreiros em cima de um escudo. Para ser legitimizado, Pepino o breve decidiu recorrer a outra autoridade, a da Igreja, tornando-o mais legítimo do que os merovingios (para efeitos de propaganda, dado que o poder já estava nas suas mãos). Childerico foi enviado para um convento com o seu filho, sem outras consequências.
sexta-feira, setembro 22, 2006
Kagemusha

Mais um filme do Akira Kurosawa. Este baseia-se em factos reais. Um senhor da guerra (Takeda Shinzen) recebe um indivíduo (um ladrão que ia ser executado) que é extremamente parecido consigo e decide usálo como Kagemusha (duplo). Quando Shinzen morre, os seus generais decidem manter a ficção de que o líder do clã está vivo. O filho fica pouco satisfeito mas tolera a situação. O duplo tem de se portar como um grande senhor, assistir a peças de teatro No, banquetes, reuniões familiares e conselhos de guerra, mantendo a ficção. Por fim acaba por ser desmascarado. O filho de Shinzen toma as rédeas do clã e lança-se num ataque contra os seus principais adversário Tokugawa e Oda Nobunaga que estão cercados numa fortaleza, contra o conselho dos generais do seu pai. A famosa cavalaria Takeda lança-se num ataque contra tropas inferiores em número. Só que estas entrincheiraram-se e estão a utilizar arcabuzes de forma coordenada (uma fila dispara, sendo substituídos imediatamente por outra fila e assim sucessivamente, até que finalmente o primeiro grupo já recarregou a arma e dispara novamente, mantendo um tiro contínuo): o resultado é que a cavalaria que ataca por secções é completamente aniquilada (e vemos o resultado da carnificna). O Kagemusha lança-se num ataque sozinho, é ferido e dirige-se para o estandarte Takeda que se está a afundar num curso de água, morrendo aí, simbolicamente com o destino do clã.
No mundo real, o clã aguentou-se alguns anos à batalha de Nagashimo, mas perdidas as melhores tropas e generais foi o alvo do ataque dos inimigos e viu os vassalos revoltar-se, acabando por desaparecer como força real. Só acabou por sobreviver um filho de Takeda Shinzen que se colocou ao serviço de Tokugawa.
Uma última ironia: se na batalha, o exercito Takeda se tivesse limitado a esperar e a cercar os seus adversários, dada a pequena quantidade de abastecimentos que as tropas cercadas tinham, era provável que as tropas fossem vencidas (quando a capturar Tokugawa e Oda era outra história), e era esse o conselho dado pelos generais, mas o filho de Shinzen queria vencer numa batalha espectacular.
terça-feira, setembro 19, 2006
O império Holandês-V
Ora se as províncias unidas em meados do séc. XVII pareciam ter um ímpeto a que nada detinha (eram a maior potência naval, arrebatavam as colónias portuguesas umas a seguir às outras, detinham uma fatia considerável do comércio com o oriente), meio século depois eram claramente uma potência de 2ª ordem, muito abaixo dos 3 grandes (Espanha, Portugal e a crescente Inglaterra). Como é que sucedeu isso?
O controle e a responsabilidade do império recaía sobre 2 províncias, a Holanda e a Zelândia (especificamente, as respectivas companhia); as restantes dedicavam-se sobretudo à agricultura e artesanato, recusando-se a contribuir com impostos, barcos e dinheiro para algo que elas não consideravam que lhes dizia respeito (de forma indirecta, investindo nas companhias); mesmo sendo as duas províncias mais ricas, isso significava um esforço desmesurado para a força dessas 2 províncias que tinham de competir com nações que tinham mais população do que as 2 acrescidas das 5 que não contribuíam. Pelo contrário, nos países ibéricos (e na Inglaterra e França), os impostos eram comuns e toda a gente contribuía para a defesa do império.
As guerras contra a França na metrópole desviaram-lhe recursos e as 2 guerras contra a Inglaterra provocaram-lhe terríveis perdas na marinha. A manutenção de territórios coloniais implicava custos permanentes que não existiam quando apenas comerciava e assaltava outras potências: funcionários, barcos de patrulha, guarnições. A perda dos territórios conquistados aos portugueses implicava que os enormes investimentos feitos pelas companhias não tinham tido retorno. Pior, enquanto que os outros países só tinham de levantar mais impostos e estavam dispostos a enormes sacrifícios (dado que estava também envolvido uma questão de prestígio e não apenas lucro), as companhias demoraram algum tempo até começar a receber apoios oficiais e não podiam arriscar-se a defender os territórios como se fosse a sua tábua de salvação: se a coisa corria mal, as companhias abandonavam os territórios. Finalmente, o recrutamento condicionava os combates. Se os Holandeses tinham melhor logística, organização e disciplina, os seus soldados sendo mercenários não lutavam com uma convicção por aí além. Um par de derrotas ou o espectro da fome e rendiam-se imediatamente. Além de que os alemães, franceses e nórdicos (que representavam metade ou mais dos soldados) muitas vezes luteranos e por isso desprezados detestavam quase tanto os seus chefes que acusavam de mesquinhez como aos adversários. Os ibéricos eram indisciplinados mas lutavam mesmo em situação de grande inferioridade numérica; em cercos aguentavam a fome e tinham um enorme ódio aos holandeses por razões religiosas. Dado que se tinham estabelecido numerosos colonos, além das guarnições toda a população masculina podia pegar em armas dando um reforço importante e podiam muitas vezes recorrer aos indígenas que tinham sido convertidos e assimilados pelos missionários (e muitas vezes ao fim de pouco tempo, podiam recorrer aos indígenas não assimilados assim que estes viam que os holandeses não representavam grande alteração de domínio). Em campanhas prolongadas acabavam por levar a melhor.
O controle e a responsabilidade do império recaía sobre 2 províncias, a Holanda e a Zelândia (especificamente, as respectivas companhia); as restantes dedicavam-se sobretudo à agricultura e artesanato, recusando-se a contribuir com impostos, barcos e dinheiro para algo que elas não consideravam que lhes dizia respeito (de forma indirecta, investindo nas companhias); mesmo sendo as duas províncias mais ricas, isso significava um esforço desmesurado para a força dessas 2 províncias que tinham de competir com nações que tinham mais população do que as 2 acrescidas das 5 que não contribuíam. Pelo contrário, nos países ibéricos (e na Inglaterra e França), os impostos eram comuns e toda a gente contribuía para a defesa do império.
As guerras contra a França na metrópole desviaram-lhe recursos e as 2 guerras contra a Inglaterra provocaram-lhe terríveis perdas na marinha. A manutenção de territórios coloniais implicava custos permanentes que não existiam quando apenas comerciava e assaltava outras potências: funcionários, barcos de patrulha, guarnições. A perda dos territórios conquistados aos portugueses implicava que os enormes investimentos feitos pelas companhias não tinham tido retorno. Pior, enquanto que os outros países só tinham de levantar mais impostos e estavam dispostos a enormes sacrifícios (dado que estava também envolvido uma questão de prestígio e não apenas lucro), as companhias demoraram algum tempo até começar a receber apoios oficiais e não podiam arriscar-se a defender os territórios como se fosse a sua tábua de salvação: se a coisa corria mal, as companhias abandonavam os territórios. Finalmente, o recrutamento condicionava os combates. Se os Holandeses tinham melhor logística, organização e disciplina, os seus soldados sendo mercenários não lutavam com uma convicção por aí além. Um par de derrotas ou o espectro da fome e rendiam-se imediatamente. Além de que os alemães, franceses e nórdicos (que representavam metade ou mais dos soldados) muitas vezes luteranos e por isso desprezados detestavam quase tanto os seus chefes que acusavam de mesquinhez como aos adversários. Os ibéricos eram indisciplinados mas lutavam mesmo em situação de grande inferioridade numérica; em cercos aguentavam a fome e tinham um enorme ódio aos holandeses por razões religiosas. Dado que se tinham estabelecido numerosos colonos, além das guarnições toda a população masculina podia pegar em armas dando um reforço importante e podiam muitas vezes recorrer aos indígenas que tinham sido convertidos e assimilados pelos missionários (e muitas vezes ao fim de pouco tempo, podiam recorrer aos indígenas não assimilados assim que estes viam que os holandeses não representavam grande alteração de domínio). Em campanhas prolongadas acabavam por levar a melhor.
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