sexta-feira, junho 16, 2006

Genji Monogatari





Retomei a ler a leitura da história de Genji (leio só no verão). Recapitulando, é um romance japonês escrito no séc. XI por uma mulher de que se ignora quase tudo (era acompanhante de uma princesa Japonesa) que retrata a vida fictícia de um filho (Genji) de um imperador e a vida da corte; não há exactamente uma trama, apenas seguimos a sua vida e o de outras pessoas que coexistem consigo.
Genji teve o azar de ter uma mulher mais velha (cerca de 60 anos) apaixonar-se por ele, embora ele a rejeitasse. Tono, o seu amigo/rival/cunhado (pertencente ao poderoso clã Fujiwara) pensou que Genji gostava da senhora e insinuou-se com ela, acabando por ser bem sucedido; quando se espalhou de que Genji gostava da senhora (deixando este agastado), toda a gente achou uma bizarria alguém tão prendado gostar de uma velha.
Mais tarde, Genji deixou sem querer, ficar mal visto a Senhora Ryoki (uma antiga ligação) ao recusar “encontrar-se” com ela, deixando o imperador aborrecido que achou que ele estava a ser indelicado. Genji acabou por conseguir dormir com Fujitsibo a nova consorte do imperador seu pai, engravidando-a; felizmente ninguém descobriu, apesar do rapaz ser igual ao pai Genji (deixando o imperador muito feliz, por pensar que tivera outro filho bonito como Genji).
Entretanto a sua própria esposa oficial (Aoui) que estava cada vez mais fria com ele (não achando piada às suas constantes infidelidades), engravidou, mas ficou doente devido à presença de vários espíritos. Genji descobriu que esses espíritos eram inofensivos, o que estava a torna-la doente era a presença do espírito da senhora Ryoki (que ainda estava viva). A mulher acabou por falecer depois do parto deixando um rapaz.
Murasaki (sobrinha de Fujitsibo) já tem uns 11 anos e está lentamente a perceber que não vai poder continuar a brincar com bonecas muito mais tempo, embora ainda não tenha percebido que Genji deverá torná-la sua esposa (já tinha várias para além da oficial).
Genji participou numa excursão de Outono com a corte: foi tão brilhante na execução de uma dança (levando as lágrimas aos olhos da corte) que o resto do dia ficou estragado com a (comparativa) mediocridade das outras execuções. Num outro dia dançou novamente de forma improvisada portando-se bem, mas foi suplantado por Tono que se vestira de forma muito mais cuidadosa e fartara-se de ensaiar.
O imperador arrependido de ter tornado Genji um comum, decide que o seu novo filho (filho de Genji) será um príncipe herdeiro (mais um de muitos), e trata de promover também Genji na hierarquia da corte, que se vai aborrecendo com as exigências do seu trabalho, preferindo a vida despreocupada que levara até então.

segunda-feira, junho 12, 2006

Bola

O rei Pirro estava a passar quando viu alguns soldados a jogar com uma bola com equipamento (armadura e capacete). Perguntou-lhes o que estavam a fazer: responderam-lhe que estavam a preparar-se para uma competição séria, a batalha. Satisfeito, Pirro decidiu ir ter com os oficiais para os soldados serem promovidos. Descobriu que os oficiais estavam a beber. Furioso despromoveu os oficiais e substituiu-os pelos soldados em questão.

terça-feira, junho 06, 2006

Respostas

Um amigo meu enviou-me este link de um artigo do público que tinha lido. Respondi-lhe, e decidi colocar aqui o mail que lhe enviei.

"Não posso falar pelo Ratzinger, mas posso dar-te uma achega da relação dos nazis com o cristianismo.
Em primeiro lugar, de forma subtil, no topo da hierarquia existia uma divisão entre os que eram católicos (Himmler, Goebbels) e protestantes (Borman). Não sendo qualquer um deles crente, desprezavam os da outra confissão. É um bocado difícil de explicar isto, mas Himmler mas mandava prender evangélicos sem dores de consciência, Borman tinha todo o prazer em mandar padres e freiras para campos de concentração (digamos que era uma espécie de solidariedade para com aqueles que tinha sido da sua confissão, embora já não acreditassem nela). Himmler admirava a igreja católica pela sua hierarquia, obediência, e liturgia, usava-a como modelo, embora planeando um dia livrar-se desse concorrente indesejado já que tinha uma origem não ariana, e estava sediada num país de raça inferior e pregava uma doutrina concorrente.
A Igreja era tolerada e usada porque convinha, mas um dia, ela seria eliminada, como tinha acontecido com os partidos e os sindicatos. E o Deus dos Nazis era bem diferente.
Quanto à igreja: no princípio, tal como a aristocracia e a classe média, ela só queria alguém que os salvasse dos comunistas; a igreja apoiava os conservadores (nunca os nazis que eram vistos como um bando de revolucionários, os discursos dos anos 20 eram muito anti-clericais), mas na década de 30 os nazis moderaram o discurso e tornaram-se respeitáveis. Os conservadores aliaram-se aos nazis e resolveram os problemas. Quem foi eliminado foi toda a casta de "vermelhos", o que não desagradou a ninguém (além dos próprios). O partido católico (existia um) opôs-se aos nazis, mas depois do "suicídio" do seu líder e mais alguns colaboradores na noite das facas longas, os católicos calaram-se. Porque reclamar, se tudo corria bem? Depois vieram as limitações da liberdade de discurso, de imprensa, perseguições de recalcitantes (padres e freiras que não sabiam estar calados), a eutanásia forçada de deficientes, mas tudo era compensado pelo aparecimento em cerimónias oficiais, o silenciamento dos elementos mais à esquerda do partido (que era na origem um partido com forte componente de esquerda) e manutenção dos privilégios. E é preciso não esquecer que o extermínio de prisioneiros é só a partir de 1942, até então não se praticava (o pessoal parece achar que campo de concentração=câmara de gaz e mortes indiscriminadas, o que é falso).
Onde estava Deus? Isso interessa? Foram seres humanos que praticaram (e praticam) os horrores por livre arbítrio. É só a nós que nos temos de culpar."

Manuscritos

Imagina o leitor que se depara com um manuscrito alemão. Este manuscrito refere que um dia o povo alemão encontrará um líder que o fará despertar (dado que são um povo eleito), e entrará em guerra com os franceses a quem conquistarão dado este ser um povo degenerado, depois expandir-se-ão para leste, e criarão um império universal; a falsa igreja de Roma será derrubada e substituída por uma verdadeira. Mas mais importante que tudo, destruirão a raça maldita dos judeus que são uma praga que consome a terra (e muito mais verborreia do género). Familiar? Se pensa que isto é um texto nazi, desengane-se: é um manuscrito do séc. XVI do “anónimo de Nuremberga”. Provavelmente um frade, de que se ignora quase tudo. Do que se sabe nem Hitler, nem qualquer um dos teóricos nazis o leu. O que arrepia ainda mais.

quarta-feira, maio 31, 2006

Desertores

Dos portugueses que embarcavam para a Índia na primeira metade do séc. XVII, parte deles morria na viagem, ou nos primeiros tempos devido ao clima. Aí chegados, o seu destino seria o exército, mas como estado português tinha dificuldades financeiras, recorria ao expediente de desmobilizar a maioria dos soldados na época das monções. Estes ficavam a mendigar, arranjavam um emprego ou entravam na vida religiosa que lhes assegurava o sustento. Outros desertavam para os inimigos dos portugueses que lhes pagavam bem. Chegaram a ser 5000, o que era próximo do número de soldados portugueses ao serviço do vice-rei da Índia.

quarta-feira, maio 24, 2006

Música



A música religiosa portuguesa do séc. XVI teve uma enorme vitalidade. Para além da corte que tinha uma capela com músicos, os diversos bispados (e arcebispados) mantinham capelas (a de Évora era a mais famosa) assim como alguns grandes mosteiros (Santa Cruz de Coimbra). Isso assegurava a existência de locais permanentes de ensino da música e um mercado de trabalho com continuidade, mantendo um alto nível de qualidade (a nível de composição e execução) e diferenças de estilo conforme a localização geográfica. Deste modo alguns compositores portugueses conseguiram ter uma carreira no exterior (Pedro de Escobar é o mais famoso) ou mantendo-se cá, ter as suas peças impressas no estrangeiro.

segunda-feira, maio 15, 2006

Mais sobre livros

No séc. XVI em Lisboa existia cerca de uma dúzia de livrarias (tendo ao todo cerca de 60 empregados). Ainda existiam pela cidade tendeiros que também se dedicavam à venda de livros e manuscritos. Com um número um pouco inferior, existiam diversas livrarias também em Coimbra (graças à universidade), em Évora (que também tinha uma universidade) e Porto. Esses livreiros eram considerados ricos dado o grande investimento que representava a posse desses livros para venda. Boa parte dos livros eram vendidos sem capa, encomendando o comprador uma capa de acordo com as suas posses.