segunda-feira, abril 10, 2006
Aristóteles estava certo e Platão errado
Na "Science et vie" deste mês de abril está um artigo sobre o big-bang que refere a existência de várias galáxias que tem sido encontradas mais velhas do que a data que se reconhece para a criação do universo (e da famosa explosão). Encontram-se várias teoria, desde as mais radicais, que implicam pôr de parte a teoria dada as falhas encontradas nos últimos anos, às que não aceitam qualquer modificação sendo essas falhas anomalias que deverão ser explicadas. Uma chamou-me a atenção: o big-bang teria criado a matéria conhecida (cerca de 5% da matéria existente) sendo os outros 95% (matéria negra e energia sombra (esta para mim é nova!) anteriores o que significaria que o universo não teria tido um princípio, mas sempre existira, sem ter um momento de criação (daí o título do meu post). Claro que os cientistas ainda estão à guerra entre eles, dado que não existe nenhuma teoria geral que explique também a existência do universo, mas é bom ver a ciência não repousar.
quinta-feira, abril 06, 2006
quarta-feira, março 29, 2006
Cleómenes
Quando li coisas sobre Cleómenes, deparei-me com esta história que achei hilariante. Cleómenes amava profundamente a mulher (afinal, estava casado com ela desde criança e tinham-se dado bem, apesar de ser um casamento de conveniência). Quando ela morreu ao fim de 20 anos de casamento (ele devia ter uns 30 anos, ela um pouco mais), ele sofreu um grande desgosto, mas tendo sido educado por um estóico, tratou de guardar o desgosto apenas para os seus próximos, não o mostrando em público. E tratou de arranjar uma amante e um amante.
terça-feira, março 28, 2006
Ajax
Via o blog o insurgente, vi a notícia de que tinha sido descoberto o palácio de Ajax. Ok, descobriram um palácio micénico que corresponde à datação correcta, mas atendendo a que estamos a falar de um heroi mítico que combateu numa guerra que provavelmente nunca se deu, descrito num poema séculos posteriores e que descreve um sociedade que não é a micénica mas a do período posterior (a chamada idade das trevas gregas), parece-me arriscado fazer esse tipo de apresentação (mesmo que venda bem).
segunda-feira, março 27, 2006
Shi Huang Di
Ontem vi um filme chamado "Herói" que deu na televisão. O filme era (na minha opinião) aborrecido mas isso é uma questão de gosto. A ideia de apresentar várias versões do que sucedeu (muito parecido com o Roshamon) prolongou desnecessariamente o filme (enquanto que no filme de Akira Kurosawa dava-lhe real interesse) e as lutas com as pessoas a voar (estilo manga), tiram-lhe qualquer tipo de credibilidade.
Bem, mas vou falar do rei que aparece no filme: Shi Huang, o primeiro imperador da China.
Shi, pertencia ao reino Quin, um dos numerosos reinos chineses. Depois de 500 anos de lutas, com a subida de Shi, as coisas modificaram-se: subindo ao trono em 247 AC, conseguiu numa vintena de anos conquistar os restantes reinos. Proclamou-se o equivalente a imperador em 221 AC depois da capitulação do último reino e começou a trabalhar para a unificação cultural, uma vez efectuada a política. Uniformizou pesos e medidas, a escrita, eliminou os intelectuais que se opunham sí (a bem dizer, qualquer pessoa que ele imaginasse que não o aprovasse), ordenou a destruição de todos os livros que considerasse que nefastos. Mas ficou mais conhecido por duas obras: a grande muralha que protegeria a China dos povos nómadas (a actual muralha, não é a que ele edificou, já que ela foi abandonada, recuperada e alargada em diferentes troços por várias vezes) e construiu um imenso mausoléu com figuras de terracota (costuma aparecer em programas da national geographic e do canal História). Tendo um medo paranóico da morte, acabou por falecer numa viagem em busca da imortalidade. O seu filho não conseguiu aguentar o império, e ao fim de um par de anos, a dinastia terminou, recomeçando as confusões.
Foi um soberano duro, impiedoso, que espremeu a população, que não admitia qualquer tipo de oposição. Mas acabou (por um breve tempo) com as guerras que devastavam a China, e as dinastias que o seguiriam retomariam muitas das suas medidas (embora de forma mais suave).
Uma nota pessoal: há uns anos atrás, o seu nome era ocidentalizado como Shi Huang Ti, mas agora é apresentado como Qui Shi Huang, que supostamente é mais fiel ao seu nome.
Bem, mas vou falar do rei que aparece no filme: Shi Huang, o primeiro imperador da China.
Shi, pertencia ao reino Quin, um dos numerosos reinos chineses. Depois de 500 anos de lutas, com a subida de Shi, as coisas modificaram-se: subindo ao trono em 247 AC, conseguiu numa vintena de anos conquistar os restantes reinos. Proclamou-se o equivalente a imperador em 221 AC depois da capitulação do último reino e começou a trabalhar para a unificação cultural, uma vez efectuada a política. Uniformizou pesos e medidas, a escrita, eliminou os intelectuais que se opunham sí (a bem dizer, qualquer pessoa que ele imaginasse que não o aprovasse), ordenou a destruição de todos os livros que considerasse que nefastos. Mas ficou mais conhecido por duas obras: a grande muralha que protegeria a China dos povos nómadas (a actual muralha, não é a que ele edificou, já que ela foi abandonada, recuperada e alargada em diferentes troços por várias vezes) e construiu um imenso mausoléu com figuras de terracota (costuma aparecer em programas da national geographic e do canal História). Tendo um medo paranóico da morte, acabou por falecer numa viagem em busca da imortalidade. O seu filho não conseguiu aguentar o império, e ao fim de um par de anos, a dinastia terminou, recomeçando as confusões.
Foi um soberano duro, impiedoso, que espremeu a população, que não admitia qualquer tipo de oposição. Mas acabou (por um breve tempo) com as guerras que devastavam a China, e as dinastias que o seguiriam retomariam muitas das suas medidas (embora de forma mais suave).
Uma nota pessoal: há uns anos atrás, o seu nome era ocidentalizado como Shi Huang Ti, mas agora é apresentado como Qui Shi Huang, que supostamente é mais fiel ao seu nome.
quinta-feira, março 23, 2006
Cleómenes
Alguns anos depois, o rei Leónidas morreu e sucedeu-lhe o filho Cleómenes (casado com a viúva de Agis). Ora sendo este ainda criança quando casou, a mulher passou os primeiros anos a contar-lhe os feitos do seu falecido marido. Chegado à idade adulta, Cleómenes decidiu aplicar o programa de Agis. Para evitar ter um destino semelhante, decidiu fazer um golpe (Agis tivera sempre a preocupação de agir dentro da lei e evitar atacar quem quer que fosse e a sua execução sem julgamento foi ilegal), executando os éforos e banindo um número de cidadãos que se poderia opor a si. Distribuiu as terras, e criou cerca de 4000 novos cidadãos. Reformou o velho exército hoplita, copiando a falange macedónica. Mas entrou em conflito com uma liga (a liga Acaia), que via com maus olhos o novo governo revolucionário a fortalecer a velha cidade odiada. Cleómenes infligiu-lhes várias derrotas sendo acolhido como libertador por várias populações que esperavam que as medidas que tinham sido aplicadas em Esparta, o seriam noutros locais. Aratos, o principal chefe da liga, acabou por ter de pedir ajuda ao seu até então maior inimigo, o rei da Macedónia. Este que fora expulso de boa parte da Grécia por Aratos, entrou imediatamente na Grécia e com um exército superior bem treinado, equipado e alimentado derrotou o exército de Cleómenes (a batalha foi bastante sangrenta, morrendo grande parte dos novos cidadãos). Cleómenes teve de fugir e refugiou-se no Egipto que lhe fornecera subsídios durante algum tempo. Mas aborrecido com as intrigas da corte e com a inacção tentou com uns companheiros uma revolta que correndo mal, levou ao suicídio colectivo.
terça-feira, março 21, 2006
Agis
Esparta depois das derrotas de Leuctros e Mantineia no séc. IV AC sofreu um total apagamento. Perdeu a liderança das cidades da península do Peloponeso que lhe dera um imenso poder. A diminuição de cidadãos por motivos demográficos que já vinha de trás) acelerou-se: no séc. VII Ac tinha cerca de 9000 cidadãos, no séc V AC cerca de 4000, um século depois eram menos de 2000. Em meados do séc. III AC, só restavam 700, dos quais só 100 eram proprietários (tendo os lotes de terras que tinham pertencido aos 9000 cerca de 500 anos antes). Ora nesse período, um jovem rei subiu ao trono, Agis. Este decidiu restabelecer o antigo poder da cidade, voltando (na teoria) a aplicar a antiga constituição espartana. No seu programa pretendia em primeiro lugar abolir as dívidas, depois redistribuir as terras por todos os cidadãos e a criação de novos cidadãos num total de 5000 (entre estrangeiros e periecos residentes na cidade); mais cerca de 15000 pessoas teriam direito a distribuição de terras. Só conseguiu implementar a 1ª reforma, pois sob o pretexto de que deveria aplicar uma reforma de cada vez, a segunda foi sendo adiada até acabar por ser assassinado por opositores às mudanças em 241 Ac, quando tinha 24 anos (Esparta tinha um regime com dois reis, e o líder da conspiração foi o outro rei juntamente com os éforos). O líder da conspiração era o rei Leónidas, que mandou assassinar também a mãe de Agis e a avó; sendo estas ricas proprietárias, tudo passou para a viúva de Agis (que já era rica) que foi obrigada a casar com o filho de Leónidas que era ainda criança. Mas o futuro reservava uma ironia.
quinta-feira, março 16, 2006
Amor e sangue
Há uns anos atrás vi um filme chamado amor e sangue. O realizador era o Paul Verhoen (realizador do robocop), mas o filme surpreendeu-me bastante.
O filme passa-se em 1500, sem uma localização exacta, mas dá-nos pistas para provavelmente ser em Itália. Um príncipe que foi expulso da sua cidade, está com um exército de mercenários a retomá-la. Assistimos ao cerco e ao saque. Às tantas o príncipe apercebe-se que os mercenários não lhe vão deixar grande coisa da cidade, e com uma guarda fiel, obriga os mercenários desorganizados a abandonar a cidade sem nada. Estes dispersam-se, mas um grupo decide vingar-se. Aprisionam com um golpe de sorte a noiva do filho do príncipe e depois de uma série de peripécias, os mercenários são massacrados, a noiva reencontra-se com o seu noivo e os nobres acabam bem.
O que me agradou neste filme, foi o facto de não haver “bons”. Todos são cúpidos, cruéis, traiçoeiros e corajosos ao extremo ou cobardes conforme as situações (o filme nesse aspecto parece do Sérgio Leone, para pior). O personagem principal (um dos chefes dos mercenários) não hesita em enganar os companheiros quando lhe interessa, inclusive a companheira que traz (eventualmente) o seu filho na barriga. O filho do príncipe embora a princípio mole, só se preocupando com os seus livros, quando tem a sua vida em jogo arranja a energias para se safar das situações. A sua noiva que ouviu demasiadas histórias de belos cavaleiros, balança-se para o lado que mais lhe convém.
Os cenários são tardo-medievais, e vemos exércitos renascentistas em toda a sua glória com os soldados, prostitutas e padres.
É um filme bastante forte, mas mais realista do que numerosas outras produções (de repente vê-me à cabeça Braveheart ou o Reino dos Céus).
O filme passa-se em 1500, sem uma localização exacta, mas dá-nos pistas para provavelmente ser em Itália. Um príncipe que foi expulso da sua cidade, está com um exército de mercenários a retomá-la. Assistimos ao cerco e ao saque. Às tantas o príncipe apercebe-se que os mercenários não lhe vão deixar grande coisa da cidade, e com uma guarda fiel, obriga os mercenários desorganizados a abandonar a cidade sem nada. Estes dispersam-se, mas um grupo decide vingar-se. Aprisionam com um golpe de sorte a noiva do filho do príncipe e depois de uma série de peripécias, os mercenários são massacrados, a noiva reencontra-se com o seu noivo e os nobres acabam bem.
O que me agradou neste filme, foi o facto de não haver “bons”. Todos são cúpidos, cruéis, traiçoeiros e corajosos ao extremo ou cobardes conforme as situações (o filme nesse aspecto parece do Sérgio Leone, para pior). O personagem principal (um dos chefes dos mercenários) não hesita em enganar os companheiros quando lhe interessa, inclusive a companheira que traz (eventualmente) o seu filho na barriga. O filho do príncipe embora a princípio mole, só se preocupando com os seus livros, quando tem a sua vida em jogo arranja a energias para se safar das situações. A sua noiva que ouviu demasiadas histórias de belos cavaleiros, balança-se para o lado que mais lhe convém.
Os cenários são tardo-medievais, e vemos exércitos renascentistas em toda a sua glória com os soldados, prostitutas e padres.
É um filme bastante forte, mas mais realista do que numerosas outras produções (de repente vê-me à cabeça Braveheart ou o Reino dos Céus).
terça-feira, março 07, 2006
O batalhão sagrado
Era uma unidade de elite da cidade de Tebas, constituída por 150 casais de homossexuais (ou seja, 300 homens). Teriam sido constituídos em princípios do séc. IV, participaram nas batalhas decisivas contra Esparta que derram a hegemonia à sua cidade (Leucra, Mantineia). Viram o seu fim em 338, contra os macedónios de Filipe II e Alexandre: aí, Atenas e Tebas durante muito tempo inimigas reconciliaram-se ao ver o perigo macedónio e jogaram não só a sua independência como a democracia como regime independente viável no contexto de grandes nações. Os génios militares dos príncipes macedónios levaram a melhor em Queroneia, no que foi uma das batalhas mais duras desse período. Primeiro foram os atenienses, depois os tebanos, os exércitos aliados fugiram do exército macedónio, tendo ficado unicamente o batalhão sagrado a resistir até ao fim. Apenas um reduzido número foi capturado, já feridos.
sexta-feira, março 03, 2006
Chorar pelos vivos?
Quando se deu a batalha de Leuctros (371 AC), entre Esparta e Tebas, aquela sofreu uma pesada derrota, perdendo 400 cidadão (para uma população de cidadãos no total de 1500); os éforos (magistrados que governavam a cidade), pediram às famílias dos mortos para não chorarem, dado que iria desmoralizar ainda mais a cidade. No dia seguinte, as famílias dos mortos saíram à rua alegres e bem vestidos, pois os seus mortos não tinham desonrado a cidade, enquanto que os familiares dos sobreviventes fizeram luto pela sua desonra: um espartano não deveria ser derrotado a menos que estivesse morto.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Carnaval
A origem do Carnaval é incerta. Normalmente atribui-se a uma festa romana, as saturnalia, em que as pessoas gozavam de enorme liberdade, chegando os escravos a ser servidos pelos seus donos (o mundo às avessas), para além de se beber e comer muito. Passava-se no entanto no final de Dezembro (enquanto que o nosso Carnaval é em Fevereiro).
Só na Idade Média, é que se pode falar em verdadeiro Carnaval, dado que tem esse nome e as características actuais: o hábito das pessoas se mascararem, um cortejo, um rei do Carnaval e muita troça. O nome vem aparentemente do latim ou do italiano (carnem vale-adeus carne, tanto podendo significar a despedida da carne como alimento devido à Quaresma ou carne como prazeres terrenos). A festa mais popular começou a ser a de Roma (sendo patrocinadas pelos Papas até ao Concílio de Trento), mas Veneza começou lentamente a suplanta-la, tornando-se (à medida que perdia a sua importância política) uma capital de prazeres. É um exclusivo dos países católicos (e ortodoxos), não se festejando nos países protestantes até muito recentemente. A partir de meados do séc. XX, o Carnaval brasileiro tornou-se o mais popular do mundo.
Só na Idade Média, é que se pode falar em verdadeiro Carnaval, dado que tem esse nome e as características actuais: o hábito das pessoas se mascararem, um cortejo, um rei do Carnaval e muita troça. O nome vem aparentemente do latim ou do italiano (carnem vale-adeus carne, tanto podendo significar a despedida da carne como alimento devido à Quaresma ou carne como prazeres terrenos). A festa mais popular começou a ser a de Roma (sendo patrocinadas pelos Papas até ao Concílio de Trento), mas Veneza começou lentamente a suplanta-la, tornando-se (à medida que perdia a sua importância política) uma capital de prazeres. É um exclusivo dos países católicos (e ortodoxos), não se festejando nos países protestantes até muito recentemente. A partir de meados do séc. XX, o Carnaval brasileiro tornou-se o mais popular do mundo.
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Um roubo bem sucedido.
Philetaerus era um eunuco da época de Alexandre o grande, que depois da morte deste e de algumas confusões recebeu ordens do seu novo senhor Lisímaco (301 AC,) para comandar a fortaleza de Pérgamo (no território da actual Turquia) e o tesouro acumulado. Sendo Philetaerus um eunuco, não haveria perigo de este se revoltar e tentar criar uma dinastia, certo? Errado, pois possuía sobrinhos. Uma vintena de anos depois, desertou para um outro diadoque, Seleuco (criador da dinastia Seleucida) e este eliminou Lisímaco, sendo assassinado pouco depois por um filho de Ptolomeu que acolhera. Philetaerus aproveitou para criar um pequeno estado, distribuindo dinheiro a templos e comunidades gregas necessitadas, arranjou amigos, manteve-se à margem dos conflitos da época tudo isto de forma discreta e reconhecendo e apoiando verbalmente o novo rei seleucida (Antíoco), mas tornando-se progressivamente independente. Quando faleceu, passou a sucessão para o seu sobrinho; por essa altura já era tarde demais para os seleúcidas reconquistarem o enclave de Pérgamo, dado que tinham outros problemas em mão.
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Alcibiades

Acabei de ler este fim-de-semana a guerra do Peloponeso de Tucidides. Portanto decidi escrever sobre a personagem que domina o final da obra (a bem dizer, a segunda metade), Alcibíades.
Nascido por volta de 450 AC, era parente de Péricles, o que significa que pertencia a uma das mais ricas nobres e influentes famílias atenienses. Teve os melhores mestres da época, e foi mesmo discípulo de Sócrates (aparecendo mesmo nalguns diálogos de Platão). Bem parecido, rico, inteligente, culto, bom conversador tinha tudo para agradar; o problema é que era vaidoso, cínico, e muito, muito ambicioso; enquanto que o seu ilustre parente fora o primeiro homem da cidade, mas respeitara sempre a democracia e servia a cidade, Alcibíades pretendia (pelo menos assim foi apresentado) apenas o poder e as honrarias. Participou na guerra do Peloponeso, e depois de alguns combates, conseguiu convencer os seus concidadãos a romper a trégua assinada (421 AC) com os espartanos. Tendo entrado a princípio no partido aristocrático, como este o olhara com desconfiança, acabou por virar-se para o partido popular favorável à guerra (que o poderia dar a glória que pretendia). Conseguiu que fosse aprovada uma expedição contra Siracusa na Sicília, que forneceria dinheiro, homens e matérias-primas que dariam a vantagem definitiva contra Esparta. Mas então a sua sorte mudou. Foi acusado de várias blasfémias (a mutilação das estátuas de Hermes, a profanação dos mistérios de Eleusis, de que ainda hoje se discute se ele foi de facto culpado), e depois de uma série de peripécias teve de fugir. A expedição terminou num desastre, perdendo-se mais de 20.000, uma centena de barcos e muito dinheiro; expedição fora de facto decisiva, mas não como planeado. Refugiou-se junto dos espartanos e deu-lhes vários conselhos contra a sua pátria, que foram muito úteis (nomeadamente, a escolha do comandante que esmagaria os atenienses na sicília). Mas acabou por ter de fugir (por uma questão de amores com a mulher de um dos reis de Esparta (eram sempre 2) para a corte de um dos satrápas persas, que dominava a costa asiática. Convenceu este que em vez de apoiar os espartanos como fizera até então, devia manter um equilíbrio entre os dois adversários para se enfraquecerem e deixarem a Pérsia em paz. Entretanto, entrara em negociações com Atenas, e exigiu para o seu regresso (prometendo o apoio da Pérsia para esmagar Esparta), que fosse abolido o regime democrático e nomeado uma oligarquia. Atenas resignou-se mas a oligarquia não o chamou de volta. A frota de Atenas em Samos revoltou-se e considerou-se a única representante legal de Atenas seguindo a democracia (o resto das forças atenienses fieis à cidade foram esmagadas). Alcibiades conseguiu convencer as forças em Samos a reconhece-lo como chefe democrático, e venceu os espartanos em vários reencontros e reconquistando territórios; a oligarquia caiu. Voltou e foi recebido triunfalmente em Atenas (407). Mas no ano seguinte vários dos seus lugares-tenentes foram derrotados e acabou por se retirar. Tentou ir para a Pérsia para convencer o grande rei a atacar Esparta, mas um dos satrápas a comando dos espartanos mandou assassina-lo. Era um final algo inglório mas de certo modo apropriado para quem levara uma vida tão movimentada.
segunda-feira, janeiro 30, 2006
O último samurai
Vi ontem a maior parte desse filme ontem. Gostei muito como filme de samurais e de aventura romântica. Do ponto de vista histórico, mistura muitas coisas.
De facto, quando o Japão seguiu a via da modernização houve uma série de revoltas de samurais e daymios e que não queriam perder os seus privilégios; a mais grave foi em 1877. O imperador e o governo esmagaram essas revoltas que colocavam o progresso em causa; pretendendo o Japão tornar-se uma potência, não era com o código do bushido que se venceria as modernas armas de fogo. Mas para além dessas mudanças, existem outras mais subtis: no novo sistema, nunca mais poderia um samurai decapitar um camponês, porque este lhe dera um encontrão ao passar na rua; mesmo existindo hierarquias acentuadas, alguns direitos básico, igualavam todos os novos cidadãos.
De facto, quando o Japão seguiu a via da modernização houve uma série de revoltas de samurais e daymios e que não queriam perder os seus privilégios; a mais grave foi em 1877. O imperador e o governo esmagaram essas revoltas que colocavam o progresso em causa; pretendendo o Japão tornar-se uma potência, não era com o código do bushido que se venceria as modernas armas de fogo. Mas para além dessas mudanças, existem outras mais subtis: no novo sistema, nunca mais poderia um samurai decapitar um camponês, porque este lhe dera um encontrão ao passar na rua; mesmo existindo hierarquias acentuadas, alguns direitos básico, igualavam todos os novos cidadãos.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
terça-feira, janeiro 24, 2006
O nome da Rosa

O filme é bom, o livro é muito melhor. Vou tentar descrever o livro. Um velho monge beneditino (Adso de Melk) de finais do séc. XIV relata um acontecimento terrível que assistiu quando era jovem.
50 anos antes, sendo um noviço, viajou com um frade franciscano inglês. Este que fora inquisidor, é chamado pelo abade de um mosteiro beneditino do norte de Itália para resolver um problema. Este mosteiro, tem uma biblioteca famosa, onde se copiam e conservam manuscritos antigos (mas não recentes), mas que é vedada a entrada. O irmão Baskerville (o nome do frade) é informado que foi encontrado um jovem que poderá ter sido assassinado (ou cometido suicídio). Nos dias seguintes mais morte vão-se sucedendo, e progressivamente, vamos descobrindo que as mortes estão relacionadas com um manuscrito que seria nada mais, nada menos do que o 2º livro da poética de Aristóteles (já falei dele aqui). Porquê os homicídios? De uma forma muito resumida, porque legitimava o riso. Quanto aos crimes, o quem, é fácil de adivinhar, o como é bastante engenhoso. São apresentadas inúmeras obras na maioria da alta idade média (quantas delas já desaparecidas e outras inventadas por Ecco). Os livros tem um valor que ultrapassa em muito o facto de serem um mero suporte de transmissão de conhecimento, não devendo ser permitidos o seu livro acesso aos comuns, dado o perigo de má interpretação.
Ao mesmo tempo assistimos a todos os conflitos internos da igreja da época. Vemos as divisões que se davam nas ordens religiosas que tinham diferenças que poderíamos chamar de ideológicas (beneditinos mais aristocráticos mas representando um mundo que estava a ficar para trás, os dominicanos apresentados comos os maus devido à sua ortodoxia e zelo de perseguir os que se desviassem, os franciscanos mais abertos ao mundo mas com imensas divisões que levariam à criação de novas ordens religiosas e vários heréticos), os conflitos entre o Papado e o império e a sombra da inquisição, as várias heresias.
Para além da trama policial (que serve para qualquer época), fica um background e uma atmosfera que retratam muito bem a época.
Temos uma gama de personagens todas bem caracterizadas (Malaquias o alemão, Jorge o hispânico e Salvatore um herético convertido à simpática vida dos beneditinos antes de ser apanhado- “excelência reverendíssima, io stupido”). O inquisidor (Bernardo de Gui) existiu efectivamente).
O filme teve de cortar com todos os pormenores que dão valor ao livro, mas apesar de tudo, consegue fazer um bom trabalho de salvar o que pode. O melhor filme de idade média que vi.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
A Maldição de Marialva
Tive oportunidade de ver ontem na RTP Memória o filme "A Maldição de Marialva", de António Macedo, que sendo talvez o único filme português que recria a Idade Média (apesar de ser sobre o fantástico, baseado no conto de Alexandre Herculano, A Dama de Pés de Cabra, com demónios, bruxas e um alquimista), consegue prender pela caractetização que faz do que seria um burgo no Portucale do sec. X, ao qual não falta até um maometano pedinte, que para matar a sede acaa por beber vinho, enquanto ouve os cristãos a gozarem com por ter bebido "o sangue de Cristo" (Tens fome? Come porco.)
Desde o vestuário, a linguagem, os nomes, a música, o retrato das actividades quotidianas, tudo contribui para que este filme seja do agrado dos amantes desta época.
Já agora, será que é possível adquiri-lo em DVD?
Desde o vestuário, a linguagem, os nomes, a música, o retrato das actividades quotidianas, tudo contribui para que este filme seja do agrado dos amantes desta época.
Já agora, será que é possível adquiri-lo em DVD?
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Música

Há uns dias atrás estive a ouvir um cd de música do séc. XVII das Provincias Unidas (vulgo, Holanda) países baixos. A maior parte peças era para virginal e alaúde. Não existia uma corte e aristocracia palaciana, o que dava um carácter diferente à sua música; a música era tocada dentro das casas por um dos membros da família (pertencentes à burguesia ou pequena aristocracia) como forma de distração ao serão, não podendo ser muito complicadas, dado que não eram interpretadas por músicos profissionais; os modelos eram habitualmente italianos ou ingleses.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


