quarta-feira, janeiro 04, 2006

Aguirre o conquistador




Vi o filme há uns anos atrás e lembro-me que me espantou a princípio: actores alemães a representarem conquistadores espanhóis? Mas acabei por gostar muito do filme; mais tarde li uma crónica do séc. XVI de um seu companheiro (creio que se chamava Eldorado o livro) e vou começar por esta, dado que retrata parte da vida de Aguirre.
Lopo de Aguirre nasceu no reino de Espanha em 1510 e era filho de um nobre. Partiu como outros para o novo mundo em busca de riquezas, que tinham feito a fama de Pizarro e Cortês. Ora se essas são as duas expedições mais conhecidas, numerosas outras existiram. Grupos de aventureiros procuravam descobrir novos impérios e atingir o El Dorado. Aguirre participou em várias expedições. Também se meteu em problemas e esteve foragido depois de um assassinato. Conseguiu um perdão da coroa e voluntariou-se (1560) numa outra expedição pelo rio amazonas, liderada por Pedro de Ursua. No ano seguinte (ainda na expedição) participou numa conspiração que substituiu Ursua por Fernando de Guzmão; Aguirre livrou-se dele mais tarde e tomou a liderança. Decidiu então proclamar-se senhor da América do sul e escreveu uma extraordinária carta a Carlos V dizendo-lhe para não se meter no território que era o seu por direito de conquista e esforço de tantos anos. Os seus seguidores mantinham-se fiéis devido à sua crueldade e pronta execução de potenciais traidores. Quando entrou em contacto com as tropas da Coroa, tudo se esborou, os seus seguidores abandonaram-no e depois de conseguir matar a filha, foi morto.
O filme (Aguirre, a ira de Deus) acompanha unicamente a última expedição, embora contenha elementos retirados de outras expedições e contenha alterações em relação à história. Vemos Aguirre que é uma personagem relativamente menor, crescer de importância, as conspirações e a progressiva loucura de Aguirre. No final do filme, vemos os sobreviventes deitados em jangadas à deriva (sem sabermos se estão vivos ou mortos) com Aguirre a gritar as suas futuras conquistas e que criará uma nova estirpe com a sua filha, enquanto uma série de macacos estão nas jangadas indiferentes aos seus gritos. A maneira como a selva é filmada é opressiva: é um inimigo do homem que não devia lá estar e que parte para a morte. E as representações são excelentes, com bons retratos psicológicos.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Textos primitivos-II

Este é o mais antigo texto em língua italiana que sobreviveu (séc. IX). É bastante semelhante ao latim (mais do que o texto francês que já apresentei anteriormente; no entanto já não usa as regras gramaticais que o definiria como tal. É um poema sobre a vida no campo.

Se pareba boues
alba pratalia araba
& albo uersorio teneba
& negro semen seminaba.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

A vida de Brian





Neste natal tive de ver vários filmes, a maioria para esquecer, mas ofereceram-me um que compensa todos os outros: “A vida de Brian”.
Não sendo um filme histórico propriamente dito, é uma sátira bem concebida; já tinha visto o filme há uns anos atrás (sem legendas o que dificultava a compreensão de muitas piadas).
Brian é um jovem que nasce na mesma altura que Jesus Cristo em Israel e leva uma vida paralela (mas não similar). Leva uma vida banal (assistindo a sermões e apedrejamentos), até que entra num grupo anti-romano (creio que é o Judean People's Front, mas não tenho a certeza), que passam o tempo a reunir-se para discutir a opressão romana mas que consideram o seu maior inimigo os outros movimentos. Sem querer torna-se num profeta seguido e adulado por uma multidão (quando ele lhes diz que devem pensar por eles próprios eles repetem em coro que devem pensar por si próprios; formam-se também 2 movimentos rivais, os seguidores da cabaça e os da sandália); acaba por ser preso e crucificado (com os outros crucificados a cantar). As piadas variam entre uma feroz critica ao fanatismo religioso e grupos políticos e outras mais inofensivas, embora não sejam simples (romanes eunt domus). Pareceu-me curioso como muitas ideias apresentadas como nonsense iriam ter outro desenvolvimento.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Natal



Apesar de atrasado, cá vai uma imagem alusiva à quadra (é de Piero de La Francesca).

domingo, dezembro 25, 2005

Mapa de Piri Reis

Aqui está uma prenda natalícia:
Considerado por muitos como o primeiro mapa com costa do continente americano.

Mapa

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Barry Lyndon




Um excelente filme (na minha opinião) de Stanley Kubrick. Embora não retrate um acontecimento real, descreve muito bem a segunda metade do séc. XVIII.
Barry Lyndon é um jovem irlandês do que poderíamos chamar de classe média que depois de um escândalo de amores, é obrigado a fugir. Leva uma vida aventurosa na Europa sendo soldado de Frederico o grande, espião, e jogador. Torna-se amante de uma mulher rica inglesa e casa com ela depois de ela enviuvar. Leva uma vida de grande aristocrata (festas) e efectua alguns investimentos com maus resultados. Traindo a mulher e dando-se mal com o enteado acaba por ficar mutilado por este num duelo, tendo de sair de casa e voltando a uma semi-pobreza.
A recriação da época a nível de roupas, decoração e costumes é primorosamente feita. A banda sonora embora não seja da época (há de tudo, desde Handel aos Chieftains) é adequada aos momentos do filme (sobretudo a sarabanda de Handel). O filme tem um ritmo lento e muito detalhado (a cena de sedução de Barry na mesa de jogo à que iria ser sua esposa ao som de Schubert é inesquecível).

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Descodificado o ADN do Mamute



http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/4535190.stm


De acordo com a notícia, a sequência das 5 mil letras que compõem o ADN mitocondrial do Mamute foram descodificados, permitindo descobrir , por exemplo, que teria um parentesco mais próximo ao do elefante asiático, do que ao elefante africano.
Este ADN esteve preseservado nas camadas de Permafrost, tal como a de muitos outros animais do Plistoceno, sendo a primeira vez que se descodifica o ADN de um animal dessa época (o primeiro foi a Moa, uma ave que se extinguiu à cerca de 500 anos.
A novidade desta descoberta prende-se também com a técnica utilizada, que permite utilizar mesmo pequenos vestígios de ossos fossilizados. Foram estudados 46 partes de ADN Mitocondrial, que foram comparados e organizados ordenadamente.
O ADN Mitocondrial permite, entre outras coisas, estudar os parentescos evolucionários entre diferentes espécies.