terça-feira, julho 05, 2005

Durer

Bem, o vencedor de Junho foi Durer. Portanto vai ser o mês com gravuras e retratos deste artista.

segunda-feira, julho 04, 2005

O período Heian-IV


Curiosamente, no final do período, os imperadores iriam voltar a exercer autoridade. Até ao séc. XI, o clã Fujiwara, fora todo-poderoso, tendo o chefe do clã o título de regente ou chanceler (cargos públicos), colocando familiares ou aliados nos lugares chave da administração; nas províncias, os governadores e nobres locais que estavam a deixar de pagar impostos, entregavam “presentes” ao regente, para que este fechasse os olhos à fuga ao fisco, que empobrecia o estado mas no momento favorecia-o; casando as filhas com imperadores (ainda crianças) e herdeiros e obrigando-os a abdicar pouco depois da ascensão ao trono (subindo ao trono herdeiros na maioria das vezes bebés), garantia-lhes a ausência de concorrência. Mas nunca tomaram o passo decisivo de subir o último degrau (razões religiosas e de prestigio: desprovido de poder real, o imperador descendente de uma deusa, ele próprio de certo modo um deus, incarnava a própria nação). Ora em meados do séc. XI, a morte encarregou-se de eliminar todos os herdeiros imperiais filhos ou sobrinhos dos Fujiwara e só restou o príncipe Go-Sanjo, que ainda por cima era já adulto. Este, tratou de formar um partido que o apoiasse e nomeou pessoas de outros clãs (sobretudo Taira e Minamoto) para Kugios (quadros superiores da administração e da corte, que tinham de ser descendentes de um imperador). Coincidindo com alguma divisão nos Fujiwara, conseguiu os seus intentos. Alguns anos depois abdicou, em favor de um herdeiro (que também não era descendente de Fujiwaras), Shikirawa, estipulando que deveria abdicar em favor de um irmão, devendo este fazer o mesmo em favor de outro mais novo. Shikirawa manteve a política de seu pai (que faleceu alguns anos depois da abdicação, sem mexer muito em política), mas abdicou em favor de um filho seu. Com a morte do seu filho, colocou no trono outros filhos e netos e foi governando, até que morrendo, o imperador Toba sucedeu-lhe. Abdicou pouco depois, e repetiu o esquema com os seus herdeiros, governando na menoridade (real ou forçada) dos seus descendentes. E chegou o imperador Go-Shikirawa, que manteve a política dos seus predecessores. Como podemos ver, os imperadores tinham acabado por repetir o esquema inventado pelos Fujiwara em proveito próprio, gozando de maior autoridade (podiam mesmo formular éditos que tinham poder legal). Mas cometeram um erro que lhes foi fatal. A clientela em que se apoiaram na submissão dos imperadores e Fujiwara (pois houve conflitos com eles), era a dos samurai e clãs guerreiros. Os Taira e Minamoto foram sendo sucessivamente promovidos, recebendo honrarias, cargos e sendo usados, até que se aperceberam da sua real força contra a qual a corte nada podia fazer. Quando estalou a guerra Gempei (1180-1185), os dois grandes clãs guerreiros tiraram a máscara lutando pelo poder de armas nas mãos e não com intrigas de corte. Os Minamoto ganharam, e não aceitando os cargos da corte, legalizaram um sistema baseado no feudalismo e obediência aos superiores numa relação pessoal.
Como surgiram os samurais? A palavra vem de um termo que designava aqueles que serviam de homens armados de homens importantes. O sistema militar do Japão baseara-se até ao séc. VIII na conscrição de camponeses. O resultado eram combatentes de duvidoso valor, que só pensavam em voltar para casa dado os custos da campanha (o estado nada lhes pagava) e os riscos. Com a privatização do solo, formou-se uma classe de proprietários, com dinheiro para se equiparem bem; os senhores locais habituaram-se a armar homens ou recrutar quem soubesse combater (muitas vezes ex-bandidos ou emishi- bárbaros do nordeste). Da amálgama destes vários elementos, teria surgido a nova classe.

terça-feira, junho 28, 2005

Aniversário


Fizemos ontem 2 anos de existência.
Como quadro, vai um de Masaccio, a expulsão de Adão e Eva.

segunda-feira, junho 27, 2005

O período Heian- III

De grande relevo na cultura Heian foi a Academia. Foi fundada para divulgar o conhecimento da literatura e cultura chinesas de modo a cultivar as elites. Aí, professores (muitas vezes de origem chinesa), ensinavam o direito, os clássicos, um pouco dos cânones. Diversos anos de estudos e exames eram exigidos. Mas no entanto algumas limitações foram reduzindo o alcance desse projecto. Para se alcançar um cargo importante, o fundamental era pertencer-se a um clã importante não sendo necessário o comprovativo da academia (embora para obter cargos de menor relevo pretendidos por membros de clã pouco importantes já fosse uma quase garantia a posse do certificado, o que é paradoxal). Rapidamente os cargos na academia foram-se tornando hereditários (e não por nomeação pelos governantes ou pelo professor) dentro de certos clãs; começaram a surgir acusações de favoritismo na passagem de exames (os professores apenas passavam os seus familiares para mais ninguém poder ser mestre). A academia foi-se tornando cada vez mais fechada, o seu prestígio caiu, até estar em ruínas e no final do período Heian (séc. XII), depois de um incêndio foi abandonada.
Sendo o chinês a língua literária em que eram escritos poemas, jogos, histórias, e tudo o que valia a pena ser escrito, vemos curiosamente que foi na língua Japonesa que foram escritas as obras-primas e por mulheres, que sendo menos cultas, não deviam ter esgotado a sua criatividade a decorar os clássicos chineses.
A epopeia de Genji por Murakami (desconhece-se o nome da autora, por isso é usado este nome), uma estória que se prolonga por várias gerações é considerada uma das obras maiores da literatura mundial. Descreve a sociedade corte com numerosas descrições psicológicas de forma viva (pessoalmente ainda não terminei de o ler, mas concordando com o que é descrito, acho o livro entediante, decididamente não tenho preferência por sociedades cortesãs). Um outro livro contemporâneo escrito por outra mulher, é uma colecção de descrições com todos os preconceitos de uma mulher de corte (um exemplo: ela refere-se à vista repugnante de um homem peludo a dormir à sombra de uma árvores considerando que o homem se tivesse um mínimo de bom gosto ficaria escondido durante o dia e só sairia à noite quando ninguém o visse).
O Japão mantendo-se fiel à sua religião tradicional (o xintoismo, numa qual são adorados os Kami- algo que tanto podem ser deuses como espíritos dos antepassados) e existem rituais praticamente para tudo, deu um enorme relevo ao budismo. Faziam parte das embaixadas para a china, grupos de monges que deviam aprender tudo o que podiam, copiavam textos sagrados, mantras, etc. Ora, Um dos monges numa expedição, tratou de aprender o máximo que pôde sobre esoterismo. Aprendendo numerosos encantamentos de protecção, acabou por criar a sua própria versão de budismo. Otras seitas seguiram os seus passos (iniciando-se com monges da sua seita ou aprendendo directamente na China), diminuindo assim a importância do conhecimento literário na religião em favor de uma religião mais “prática”.
Outro monge considerou que se estava a cair num período de decadência em que as pessoas eram incapazes de ter força para cumprir os preceitos budistas (não matar, comer carne, etc) e o melhor era esforçar-se mais pela atitude e simplificar as exigências (basicamente, baixar a fasquia). Esta doutrina tornou-se popular para com todos os que não podiam cumprir o budismo a preceito (que se limitava aos monges, e mesmo destes falarei depois) como guerreiros, pescadores, caçadores. Também existiam discussões entre seitas que defendiam que todos tinham a possibilidade de reencarnar e tornar-se melhor, e outros que defendiam que os eta (equivalente aos pária) estavam excluídos desse ciclo.
As seitas tradicionais de Nara (a antiga capital), com a sua prosperidade económica (doações de dinheiro e terras pelo estado e aristocratas) tinham-se relaxado disciplinarmente. Chegavam a ter filhos, emprestar dinheiro (num caso chegou aos 180% de juros anuais!), beber e comer como grandes senhores. Logo eram incapazes de cumprir com os seus deveres de zelar com orações pelo país. As novas seitas que referi anteriormente, embora se mantivessem mais disciplinadas moralmente lutavam entre sí por pontos de prestigio edoutrina, chegando a criar verdadeiros batalhões de monges que saqueavam mosteiros vizinhos (surgindo futuramente os temíveis exércitos de sohei).

sábado, junho 25, 2005

O período Heian-II

Do ponto de vista cultural, o período heian manteve a tradi~ção: absorção de tudo o que podia da cultura chinesa. Enviavam-se embaixadas com centenas de estudantes para aprender direito, poesia, religião (budista), arte; ainda por cima estando a China no seu auge cultural com a dinastia Tang, o brilho e atracção eram maiores. À medida que os séculos foram passando, a situação começou alrerar-se: os Japoneses consideravam que já tinham aprendido o que precisava, a dinastia Tang foi perdendo o controlo do país tornando perigosas as viagens de sí caras (agravado pelo facto da própria corte japonesa estar a empobrecer).
Todo o aristocrata com pretensões de fazer carreira devia aprender o chinês escrito; o chinês falado era privilégio de alguns professores descendentes de chineses que formavam uma casta especializada no ensino. Aprendidos os caracteres considerados básicos, e um pouco de literatura, era dado grande relevo à aprendizagem da poesia, e sobretudo à arte de fazer poemas de forma a brilhar na corte.