Do ponto de vista cultural, o período heian manteve a tradi~ção: absorção de tudo o que podia da cultura chinesa. Enviavam-se embaixadas com centenas de estudantes para aprender direito, poesia, religião (budista), arte; ainda por cima estando a China no seu auge cultural com a dinastia Tang, o brilho e atracção eram maiores. À medida que os séculos foram passando, a situação começou alrerar-se: os Japoneses consideravam que já tinham aprendido o que precisava, a dinastia Tang foi perdendo o controlo do país tornando perigosas as viagens de sí caras (agravado pelo facto da própria corte japonesa estar a empobrecer).
Todo o aristocrata com pretensões de fazer carreira devia aprender o chinês escrito; o chinês falado era privilégio de alguns professores descendentes de chineses que formavam uma casta especializada no ensino. Aprendidos os caracteres considerados básicos, e um pouco de literatura, era dado grande relevo à aprendizagem da poesia, e sobretudo à arte de fazer poemas de forma a brilhar na corte.
sábado, junho 25, 2005
quarta-feira, junho 22, 2005
Outra Anunciação

Mas desta vez de Fra Angelico

Entretanto, já estou a usar bogu no kendo. Estar uma armadura de cerca de 5 kg, com máscara e a roupa (kendogi e Hakama) que de sí já é quente torna-se um verdadeiro forno e suamos permanentemente. Depois dos aquecimentos e dos exercício a sério (1h 30) fica-se com uma sensação de esgotamento. Imagino que numa batalha a sério com mais uns kgs de armadura a sério, espada e afins, isso encurtaria consideravelmente a batalha em tempo.(antes que perguntem, não sou nenhum dos praticantes da foto).
terça-feira, junho 21, 2005
domingo, junho 19, 2005
Pestes e Epidemias I
Resolvi abordar uma temática sobre uma das maiores causas de morte durante a história: as epidemias e/ou pestes.
É sabido que os seres humanos não sofrem da mesma maneira relativamente a todas as doenças. Meras doenças infantis numa zona tornam-se epidemias mortíferas noutra. Até uma tosse convulsa (Bordetella pertussis) ou mesmo a varicela (virus varicela-zoster) podem matar milhões numa "zona epidemicamente virgem", se ninguém (de entre esse milhões de pessoas) tiver qualquer resistência a eles. Por exemplo, a tosse convulsa pode ter morto metade da população no Japão nos finais do século IX d.C. Mas o caso mais conhecidona história é a taxa de mortalidade de 90% (aproximadamente) de Ameríndios após os contactos constantes mantidos com os Europeus desde 1492. Embora os conquistadores tenham morto grande parte da população em várias zonas, era fisicamente impossível terem massacrado tão vastas populações. Grupos pequenos demais para levarem com eles as doenças do "Velho Mundo", estabeleceram-se no "Novo Mundo" durante as Glaciações, e poucas doenças surgiram nos 30 mil anos seguintes.
(continua)
É sabido que os seres humanos não sofrem da mesma maneira relativamente a todas as doenças. Meras doenças infantis numa zona tornam-se epidemias mortíferas noutra. Até uma tosse convulsa (Bordetella pertussis) ou mesmo a varicela (virus varicela-zoster) podem matar milhões numa "zona epidemicamente virgem", se ninguém (de entre esse milhões de pessoas) tiver qualquer resistência a eles. Por exemplo, a tosse convulsa pode ter morto metade da população no Japão nos finais do século IX d.C. Mas o caso mais conhecidona história é a taxa de mortalidade de 90% (aproximadamente) de Ameríndios após os contactos constantes mantidos com os Europeus desde 1492. Embora os conquistadores tenham morto grande parte da população em várias zonas, era fisicamente impossível terem massacrado tão vastas populações. Grupos pequenos demais para levarem com eles as doenças do "Velho Mundo", estabeleceram-se no "Novo Mundo" durante as Glaciações, e poucas doenças surgiram nos 30 mil anos seguintes.
(continua)
sexta-feira, junho 17, 2005
O período Heian
Em 794, uma intriga de corte, levou ao trono do Japão o neto de um anterior imperador, em vez de um filho. A mudança dinástica teria consequências importantes. Depois de vários problemas, o imperador Kammu decidiu abandonar a capital Nara, e depois de sucessivas mudanças foi construída uma definitiva, Kyoto. Embora essas mudanças custassem caro ao estado, foram ruinosas para a aristocracia que em poucas décadas teve de pagar sucessivos palácios. Por coincidência, a morte por conspiração ou velhice de vários elementos seniores da nobreza e menoridade dos seus sucessores, garantiu ao imperador um controle dos assuntos de estado como nunca sucedera. Apontando governadores locais a seu bel-prazer, Kammu e os seus sucessores imediatos tinham um razoável nível de controle, podendo mesmo organizar expedições contra os ainu (ou emishi, um povo aborígene) que controlavam ainda o nordeste do Japão. No entanto, vários elementos minaram esse poder. Os gastos na capital e nas expedições eram muito elevados sem trazer retornos (os ainus eram uma povo muito primitivo). Outro problema foi o sustento da família imperial: cada membro tinha direito a receber alojamentos, uma generosa pensão e criados (sabendo que vigorava a poligamia e que vários imperadores irmãos subiam ao trono sucessivamente abdicando pouco depois em favor dos parentes próximos, vemos a multiplicação que isso gerava). Um imperador decidiu limitar o direito a ser príncipe/princesa até descendentes de 5ª geração, reduzindo mais de 500 membros ao estatuto de nobres (que se tornaram taira ou minamoto), mas mesmo assim o número era enorme. E finalmente, a perca de controlo das terras em favor da formação de uma nobreza terratenente: os taira e minamoto para arranjarem colocação casavam-se com nobres locais, obtinham cargos de administração provincial, ou partiam à conquista de territórios com os seus efectivos. O poder central via assim perder lentamente o controlo do país.
Progressivamente, na própria corte os clãs apoderaram-se do exercício de funções, sendo de todos o mais poderoso, o clã Fujiwara do norte (existiam mais 3 clãs Fujiwara aparentados entre si). Este, graças a uma rede de clientelas, menoridades imperiais e casamento de filhas suas com os imperadores conseguiram tornar-se os senhores da corte.
.
O templo de cima localizado em Kyoto, e dedicado aos imperadores Kammu e Meiji, é uma réplica em menor escala de um palácio imperial do séc VIII.
Progressivamente, na própria corte os clãs apoderaram-se do exercício de funções, sendo de todos o mais poderoso, o clã Fujiwara do norte (existiam mais 3 clãs Fujiwara aparentados entre si). Este, graças a uma rede de clientelas, menoridades imperiais e casamento de filhas suas com os imperadores conseguiram tornar-se os senhores da corte.
.O templo de cima localizado em Kyoto, e dedicado aos imperadores Kammu e Meiji, é uma réplica em menor escala de um palácio imperial do séc VIII.
quarta-feira, junho 15, 2005
Botticelli
Um quadro agora de Botticelli, uma Madona como pedida...

Entretanto, ninguém votou ainda em quadros renascentistas extra-itália.

Entretanto, ninguém votou ainda em quadros renascentistas extra-itália.
segunda-feira, junho 13, 2005
Como se tornar num deus involuntariamente
Nos finais do séc. IX, em pleno período “Heian” um ex-imperador que governava em nome do imperador (que era uma criança), decidiu para suplantar a influência do clã Fujiwara, promover um funcionário de origens modestas (leia-se: de um clã de importância secundária) de nome Michizune para servir de contra-poder. Michizune fora governador nas províncias e conhecia bem os seus problemas. Com o apoio de outros semelhantes a si, tentou efectuar reformas que permitissem evitar a perda de autoridade e rendimentos que o estado estava a sofrer devido à apropriação da autoridade do estado pelos governadores e senhores locais. Mas os clãs da corte opuseram-se, e o chefe do clã Fujiwara conseguiu convencer o imperador quando este chegou à maioridade, que Michizune pretendia destroná-lo em favor de outro parente. Michizune foi então exilado para a província (e o ex-imperador seu protector colocado num mosteiro). Mas a história seria caprichosa. Michizune que já era idoso, morreu pouco depois e por coincidência, o mau tempo e tempestades assolaram o Japão. Os adivinhos foram peremptórios: o fantasma do defunto estava a vingar-se. Foram efectuados sacrifícios e cerimónias de expiação e algum tempo depois o tempo melhorou. Começou-se a associar o nome de Michizune a um deus dos raios, e (não percebo bem como) a protector dos letrados; ainda actualmente ele tem um culto no Japão, com templos.
Algumas das suas reformas seriam implementadas um século depois, mas por essa altura já era tarde demais para fazer frente aos senhores feudais e os Fujiwara tinham um poder reduzido à corte; no séc. XII começaria o conflito Taira/Minamoto. Vou assim começar uma série de posts sobre o período Heian.
Algumas das suas reformas seriam implementadas um século depois, mas por essa altura já era tarde demais para fazer frente aos senhores feudais e os Fujiwara tinham um poder reduzido à corte; no séc. XII começaria o conflito Taira/Minamoto. Vou assim começar uma série de posts sobre o período Heian.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
