terça-feira, maio 10, 2005

Jogo musical-X

A música Pop é de todos os géneros o mais difícil de definir e limitar, de tão abrangente que é. Mesmo tentar limitar cronologicamente é difícil. Música que seja ligeira (ou seja menos complexa) e popular (eufemismo para música que agrade as massas), embora muitas vezes a música não seja nem simples ou popular. Também o género pop tem o hábito de ser muito facilmente influenciável por outros géneros que momentaneamente estejam em moda (do jazz à salsa), o que a torna difícil de diferenciar. Em Itália existem árias de ópera que correspondem a essa descrição. Na primeira metade do século XX, cantores como Maurice Chevalier ou Marlene Dietrich também cantariam música ligeira muito popular. Esse género de música ligeira iria fluir por toda a Europa (em Portugal tivemos o nacional cançonetismo que ainda se ouve nalgumas rádios regionais), até se estancar com a nova música anglo-saxónica. Os norte-americanos tinham transformado a venda da música numa indústria em grande escala, com companhias que tratavam da venda de discos, concertos, promoção a um nível que na Europa nem se imaginava. Depois da II Guerra Mundial, um novo género musical influenciaria muito o pop: o rock & roll. Nas décadas de 70 e 80, os espectáculos começam a tornar-se mais sofisticados: a mera presença do actuante (por muito exuberante que fosse) já não chega. Luzes, roupas, bailarinos, efeitos sonoros intervém quer nos espectaculos quer nos videos que se tornam nos anos 80 parte fulcral da música (creio que o clipp que teve mais impacto deve ter sido "Thriller" de Michael Jackson). Até à actualidade será o género musical dominante, dado que tem uma quase omnipresença nas rádios, tabelas e televisões; gerações inteiras de adolescentes não conhecem praticamente outro género musical. Mas entre Paul Anka (1957-Diana), Jethro Tull (1969-stand up), até Madona e Britney Spear que longo caminho.
Como escolha, coloco o tema "moonlight shadow" de Mike Oldfield: não só pelo tema em sí, mas também por todo o cuidado que se colocou na produção dos "sucedâneos".

sexta-feira, maio 06, 2005

Como fundar uma idade de ouro depois de subir bajulando os governantes e denunciado os amigos


Posted by Hello
Na corte de Bizâncio, um jovem de humilde condição chamado Basílio que era pajem/ajudante (o termo em grego era outro), devido à sua força, e capacidade de domar cavalos, conseguiu cair nas boas graças de senhores poderosos. Subindo de protectores (caindo normalmente cada um deles depois em desgraça), acabou por se tornar amigo do Basileo Miguel III e conseguiu que este o nomeasse co-imperador. Um belo dia, Basílio mais alguns amigos e parentes decidiram assassinar o legítimo soberano. Depois de uma festa em que este se embebedou até cair e se foi deitar, eliminaram vários criados que estavam com ele, cortaram-lhe as mãos (para o impedir de se defender) e discutiram o que haveriam de fazer: mata-lo ou furar-lhe os olhos e interna-lo nummosteiro. O imperador que já estava bem acordado pediu misericórdia, mas os conspiradores concluíram que ele era perigoso demais e mataram-no. Apesar de todos os pormenores sórdidos, o restabelecimento do império, e a fundação de uma dinastia (a dos macedónios embora provavelmente Basílio fosse Arménio) que levou Bizâncio ao apogeu apagaram esta mancha.
Como nota final, sabemos actualmente que muitos pormenores da sua história são provavelmente falsos (como a história de que era pobre e muitos dos seus comportamentos).

quarta-feira, maio 04, 2005

Ruínas

Albert Speer o ministro do armamento de Hitler, contou nas suas memórias o seguinte episódio. Ainda era apenas arquitecto do III Reich, quando o seu patrono lhe pediu planos de edifícios. Speer fez-lhe a vontade, dando-lhe um bónus: os planos estavam feitos de maneira a que um dia quando o Reich caísse e os edifícios estivessem em ruínas, manteriam um ar de nobreza, tal como as ruínas de edifícios gregos e romanos (assim mostravam os desenhos). A ideia provocou escândalo nos altos dignitários: a ideia do regime nazi cair era considerada uma heresia (deveria durar uns 1000 anos). Mas Hitler ficou encantado com a ideia: tudo o que envolvia a destruição atraía-o. A Alemanha nazi meia dúzia de anos depois estava em ruínas, e dos edifícios de Speer nem isso restaria.

segunda-feira, maio 02, 2005

Quem eram os macedónios?

Esta é uma questão que ainda hoje levanta dúvidas (e questões políticas actuais só pioram). Na antiguidade, as opiniões dividiam-se: se por um lado, não lhes era permitido a participação nos jogos olímpicos, e eram mesmo classificados de povo bárbaro (dado que falavam uma língua incompreensível para os gregos), por outro, numerosos autores gregos consideram-nos se não gregos de pleno direito, pelo menos aparentados (e ainda mais à aristocracia).
Do ponto de vista linguístico, as coisas não são muito mais claras. O que sobreviveu da língua foram provérbios do final do império romano e pouco mais (a aristocracia falava e escrevia em grego), o que permite estudar algum vocabulário; ora grande parte deste é muito semelhante ao grego (o que se pode justificar pela crescente helenização), embora existam diferenças que o permitem comparar com outras línguas. Existem autores que consideram que é um dialecto grego que devido ao seu isolamento, afastamento e influência de outras línguas (principalmente o trácio e ilírio,) lhe deram um carácter incompreensível; outros dizem que seria uma língua separada própria, embora aparentada ao grego.
Ou seja, actualmente não se tem a certeza do que eram.

quarta-feira, abril 27, 2005

Latim fácil

Para quem está interessado em aprender latim mas não tem tempo de frequentar aulas ou comprar manuais, tem a excelente solução de ir à net. Existem aí "cursos" de aprendizagem de graça (mas é obrigatório saber inglês).
Aqui estão alguns links.
http://www.cherryh.com/www/latin_language.htm
Este é mesmo para pessoas que não tenham grandes noções de gramática, explicando intuitivamente como se estivessemos a ajudar um amigo estrangeiro.

http://www.learnlatin.tk/
Este baseia-se mais em textos e a sua compreensão.

http://www.arts.cuhk.edu.hk/Lexis/Wheelock-Latin/
Como se estivessemos a aprender na faculdade, com as declinações, verbos, e regras todas (embora um pouco árido).


http://www.hhhh.org/perseant/libellus/aides/allgre/
Semelhante ao anterior.

http://chat.yle.fi/yleradio1/latini/index.php
Quando acharem que o latim não tem mais segredos (desprezando César e Catulo que são para amadores), podem fazer o teste final que é inscreverem-se neste forum e falarem e escreverem em latim.

terça-feira, abril 19, 2005

Jogo musical-IX

O género musical de hoje será o rock.
Especialistas apresentam Alan Freed como o inventor da expressão “rock & roll” ao designar um novo tipo de música inventada por negros. Este surge logo em princípios dos anos 50 tendo por base diferentes géneros como os blues, ragtimes, jazz, só para falar dos mais conhecidos. Cantado a princípio por negros, só adquiriu legitimidade quando cantado por brancos (embora diversos negros tivessem sucesso). Bill Halley e os comets (rock around the clock), Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, the Platters, são nomes que se notabilizaram.
É referido habitualmente que o rock tinha um evidente carácter sexual que atraiu os jovens e escandalizou os seus pais, dado o puritanismo da sociedade da época (creio que de facto, boa parte da música profana desde a Idade Média tem forte cariz sexual); no entanto do ponto de vista político era muito mais neutro se o compararmos com o dos anos 60 e 70. À nova geração de 60 (Bob Dylan, Janis Joplin) muito mais interventiva, junta-se uma vaga vinda do outro lado do oceano: os Beatles, os Rolling Stones. Simultanemante, dá-se uma alteração da moralidade e da forma de pensar da época, nomeadamente para a emancipação das mulheres e minorias étnicas. Se o rock como género (embora evoluindo) se manteve até aos dias de hoje assegurando uma boa longevidade, assistiu-se à criação de vários estilos musicais novos que sobrevivem em nichos com maior ou menor sucesso (heavy metal) ou depois desapareceram depois de um breve sucesso (grunge).
Escolher uma música? Roadhouse blues dos Doors. Ainda tem um toque de blues das suas origens, e tem toda a energia que popularizou o estilo. Mas claro que é apenas uma escolha pessoal

quinta-feira, abril 07, 2005

O caso da amante assassinada

Através do Público descobri esta interessante nota (como o conteúdo deste jornal é pago, link antes para a notícia do Guardian).
Análises de ADN confirmaram que Agnés Sorel, a amante oficial do rei Carlos VII de França, foi efectivamente assassinada. A confirmação deveu-se aos altíssimos níveis de mercúrio que foram detectados no pêlo de uma das axilas do corpo exumado.
O caso é interessante, não só pela figura castiça de Agnés Sorel - transformou Carlos VII de homem casto em monarca tarado sexual, inventou o decote um-peito- tapado-outro-destapado e as caudas de vestidos de 8 metros, mas substancialmente por revelar a utilidade que as descobertas científicas podem trazer à história: por exemplo, recorrendo à informática foi possível reconstituir o rosto Agnés tal como seria e confirmar semelhanças com quadros da época (como este abaixo).