E se fosse possível restaurar gravações áudio julgadas perdidas para sempre? E se esses cilindros de cera e discos, gravados em finais do século XIX e inícios do século XX, contivessem as vozes nunca escutadas de figuras como a raínha Vitória, o kaiser Guilherme ou Florence Nightingale? Ficção científica? Nem por isso. Basta ir aqui e ler. E digam lá que a ciência não é maravilhosa...
sexta-feira, julho 16, 2004
sexta-feira, julho 09, 2004
partida
Vou estar ausente por uma temporada (umas 3 semanas), portanto será complicado actualizar o blog até o meu regresso. Como despedida, coloco este link da Biblioteca Nacional.
quarta-feira, julho 07, 2004
Justiça nazi
Um prisioneiro num campo de concentração é seleccionado para ser gaseado no dia seguinte. Tem direito por isso a receber uma ração dupla de sopa. Quando chega com a malga, o cozinheiro recusa-se, diz que ele não tem direito, que ninguém lhe disse nada; o prisioneiro insiste, diz que foi escolhido para as câmaras de gaz, que o cozinheiro verifique; este de mau grado vai confirmar e ao aperceber-se que de facto o prisioneiro tem razão, dá-lhe a dose regulamentar; o prisioneiro vai comer a sua dose e no dia seguinte é enviado para as câmaras de gaz.
A estória retirei-a do livro de Primo de Levi “Se isto é um homem”. Muito bom para as pessoas terem uma noção do que era o regime.
A estória retirei-a do livro de Primo de Levi “Se isto é um homem”. Muito bom para as pessoas terem uma noção do que era o regime.
segunda-feira, julho 05, 2004
Afrika Korps-III
Uma das maiores desvantagens dos alemães vinha dos seus aliados: os italianos. Mal equipados (a maioria dos seus tanques e artilharia não tinham possibilidade de competir com armamento inglês), mal comandados, desmotivados, as tropas italianas tinham uma tendência para se render mal as coisas corressem mal (do género, uma unidade de infantaria italiana ter de enfrentar blindados sem apoio, mas quem os pode criticar?). O mau exemplo vinha de cima: os oficiais exigiam refeições com vários pratos e raramente combatiam, enquanto que os soldados por vezes tinham de mendigar a alimentação aos alemães (Rommel estabelecera que os oficiais germanos comessem os mesmo que os soldados, aumentando a solidariedade do Afrika Korps). Sem possuírem tranportes, eram obrigados a caminhar pelo deserto muitas vezes a pé para a frente de batalha; a maioria dos oficiais não serviam para uma guerra moderna com grandes iniciativa e rapidez. Em itália, uma intensa burocracia travava o envio de reforços ou qualquer modificação que se tentasse impôr (mesmo que fosse o envio de reforços ou a adopção de armamento mais moderno). É certo que existiam excepções: um comandante de artilharia era tão apreciado por Rommel (pois colaborava com as suas peças em unidade com os alemães em perfeita sintonia), que este foi visita-lo na enfermaria onde jazia ferido de morte. Em combate corpo-a-corpo, os italianos saiam-se razoavelmente, e algumas unidades lutavam ferozmente como os paraquedistas da Folgore ou a divisão blindada Ariete que combateu em El Alamein para proteger a retirada dos DAK, resistindo até ao fim (por outras palavras, ardendo com os seus tanques). Algumas armas (em pequena quantidade é certo) ainda provocavam sustos aos aliados (como o semovente 75/18, um canhão de assalto). Mas tudo isto era muito pouco, e os alemães eram obrigados a vir constantemente em auxílio dos seus aliados para evitar que sectores da frente se desmoronassem.
sexta-feira, julho 02, 2004
Afrika Korps-II
Quais as razões para o Afrika Korps (DAK) não ter sido bem sucedido na conquista do Egipto? Algumas são óbvias: nunca receberam os abastecimentos (comida, combustível, munições, reforços, armas) que necessitavam em pleno, o que condicionava os planos de batalhas (necessitando mensalmente 150.000 toneladas recebiam em média 100.000, embora em ocasiões de maior eficiência inglesa podiam apenas receber 30.000). Tendo os seus reforços de vir de Itália estavam à mercê da RAF e Royal Navy (a partir de Malta), nem sequer tendo bons portos de desembarque. Pelo contrário, os ingleses tratavam de que nada faltasse ao 8º exército, de modo que após cada grande vitória de Rommel, poucas semanas depois os seus adversários tinham as forças refeitas (e os seus reforços vinham pelo Egipto que estava fora do alcance do eixo).
O facto do DAK ser visto pelo alto comando alemão (OKW) como uma expedição de ajuda aos italianos que apenas desviava recursos do que interessava (a frente russa), garantia toda a má vontade para o reforçar (mesmo Hitler que apreciava Rommel, acabava por não poder fazer muito); acrescentamos que Rommel não era um aristocrata prussiano mas um plebeu oriundo de Wurtemberg o que o tornava mal visto pelo comando alemão (daí a preferência que Hitler lhe dava), o que tornava a sua posição algo insegura com tentativas de o desacreditar (um enviado para estudar o DAK, concluiu que não tendo recursos suficientes, Rommel devia limitar-se à defesa sem atacar mais- o enviado era Von Paulus o futuro marechal alemão de Estalinegrado- ironias da história). Outro elemento a favor dos ingleses foi terem descodificado o código alemão de comunicação dando-lhes informações vitais (embora por vezes desastradamente interpretadas como foi no caso dos comunicados de Von Paulus, pois Rommel atacou os ingleses desprevenidos fazendo tábua rasa das considerações dos seus superiores).
O facto do DAK ser visto pelo alto comando alemão (OKW) como uma expedição de ajuda aos italianos que apenas desviava recursos do que interessava (a frente russa), garantia toda a má vontade para o reforçar (mesmo Hitler que apreciava Rommel, acabava por não poder fazer muito); acrescentamos que Rommel não era um aristocrata prussiano mas um plebeu oriundo de Wurtemberg o que o tornava mal visto pelo comando alemão (daí a preferência que Hitler lhe dava), o que tornava a sua posição algo insegura com tentativas de o desacreditar (um enviado para estudar o DAK, concluiu que não tendo recursos suficientes, Rommel devia limitar-se à defesa sem atacar mais- o enviado era Von Paulus o futuro marechal alemão de Estalinegrado- ironias da história). Outro elemento a favor dos ingleses foi terem descodificado o código alemão de comunicação dando-lhes informações vitais (embora por vezes desastradamente interpretadas como foi no caso dos comunicados de Von Paulus, pois Rommel atacou os ingleses desprevenidos fazendo tábua rasa das considerações dos seus superiores).
quinta-feira, julho 01, 2004
Afrika Korps-I
Estou a acabar de ler um livro sobre o Afrika korps; este conseguiu obter uma fama admirável para os “fãs” da segunda grande guerra. Composto pela 5ª ligeira, as 15ª e 21ª divisões panzer tendo um cenário de guerra único (os desertos do norte de africa), e colocando por 2 anos em cheque exércitos bastante superiores, obtiveram uma fama de cavalheirismo pouco comum nos alemães (recordados sobretudo pelas sua eficiência... e extrema brutalidade).
Tudo começou em 1941 quando os italianos depois de sofrerem uma série de derrotas na Líbia contra os britânicos (rendiam-se aos milhares) foram obrigados a pedir ajuda aos alemães: Hitler enviou 3 divisões e Rommel. Nos 2 anos seguintes cobriu-se de glória, na vitória e na derrota. Não vou fazer uma cronologia desse exército prestigiado, mas apresentar algumas ideias do livro.
O afrika korps combateu num meio privilegiado para fazer a guerra: o deserto. Logo, nunca sofreu o problema de provocar vítimas civis (dado de que estes viviam nas poucas cidades que existiam e não viam combates ocorrer dentro delas). O facto de não terem unidades das SS, Gestapos, e outras unidades do género, reduzia o perigo de contaminação dos ideais nazis; a estadia num local tão remoto, sem grandes contactos e com raras licenças contribuiu para lhes dar valores e uma cultura próprios (e desenvolvendo uma identidade que os levaria 30 anos depois a continuarem a reunir-se); e sobretudo a influencia de Rommel que ignorava as ordens que considerava que violavam o espírito militar (fuzilamentos de comandos, retaliações contra actos de sabotagem): num incidente em que soldados italianos tentaram violar mulheres árabes e foram mal sucedidos (alguns deles sendo mortos), pediram a Rommel que fosse feita uma expedição punitiva para castiga-los; ele recusou e disse que não se insistisse mais no assunto.
Tudo começou em 1941 quando os italianos depois de sofrerem uma série de derrotas na Líbia contra os britânicos (rendiam-se aos milhares) foram obrigados a pedir ajuda aos alemães: Hitler enviou 3 divisões e Rommel. Nos 2 anos seguintes cobriu-se de glória, na vitória e na derrota. Não vou fazer uma cronologia desse exército prestigiado, mas apresentar algumas ideias do livro.
O afrika korps combateu num meio privilegiado para fazer a guerra: o deserto. Logo, nunca sofreu o problema de provocar vítimas civis (dado de que estes viviam nas poucas cidades que existiam e não viam combates ocorrer dentro delas). O facto de não terem unidades das SS, Gestapos, e outras unidades do género, reduzia o perigo de contaminação dos ideais nazis; a estadia num local tão remoto, sem grandes contactos e com raras licenças contribuiu para lhes dar valores e uma cultura próprios (e desenvolvendo uma identidade que os levaria 30 anos depois a continuarem a reunir-se); e sobretudo a influencia de Rommel que ignorava as ordens que considerava que violavam o espírito militar (fuzilamentos de comandos, retaliações contra actos de sabotagem): num incidente em que soldados italianos tentaram violar mulheres árabes e foram mal sucedidos (alguns deles sendo mortos), pediram a Rommel que fosse feita uma expedição punitiva para castiga-los; ele recusou e disse que não se insistisse mais no assunto.
terça-feira, junho 29, 2004
Regresso
Voltei depois de uma ausência de 2 semanas de férias. Aproveitei para ler mas ainda não tive tempo de escrever nada de substancial. Fica só então uma pequena anedota: O Marechal Kesselring da força aérea alemã na segunda guerra mundial (notabilizou-se curiosamente no comando das forças alemãs terrestres em itália), estava a sobrevoar Túnis num velho biplano; a Flak (defesa anti-aérea alemã)fez confusão e tentou destrui-lo; quando ele pousou, deu uma descompostura à flak... por ter falhado um alvo tão fácil como o seu avião!
Já agora, no domingo fizemos um ano de existência. Toda a equipa do tempore agradece aos nossos leitores e sobretudo ao J do Cruzes, que sempre nos apoiou (literalmente foi ele que criou o blog do ponto de vista informático).
Já agora, no domingo fizemos um ano de existência. Toda a equipa do tempore agradece aos nossos leitores e sobretudo ao J do Cruzes, que sempre nos apoiou (literalmente foi ele que criou o blog do ponto de vista informático).
Subscrever:
Mensagens (Atom)