Quais as razões para o Afrika Korps (DAK) não ter sido bem sucedido na conquista do Egipto? Algumas são óbvias: nunca receberam os abastecimentos (comida, combustível, munições, reforços, armas) que necessitavam em pleno, o que condicionava os planos de batalhas (necessitando mensalmente 150.000 toneladas recebiam em média 100.000, embora em ocasiões de maior eficiência inglesa podiam apenas receber 30.000). Tendo os seus reforços de vir de Itália estavam à mercê da RAF e Royal Navy (a partir de Malta), nem sequer tendo bons portos de desembarque. Pelo contrário, os ingleses tratavam de que nada faltasse ao 8º exército, de modo que após cada grande vitória de Rommel, poucas semanas depois os seus adversários tinham as forças refeitas (e os seus reforços vinham pelo Egipto que estava fora do alcance do eixo).
O facto do DAK ser visto pelo alto comando alemão (OKW) como uma expedição de ajuda aos italianos que apenas desviava recursos do que interessava (a frente russa), garantia toda a má vontade para o reforçar (mesmo Hitler que apreciava Rommel, acabava por não poder fazer muito); acrescentamos que Rommel não era um aristocrata prussiano mas um plebeu oriundo de Wurtemberg o que o tornava mal visto pelo comando alemão (daí a preferência que Hitler lhe dava), o que tornava a sua posição algo insegura com tentativas de o desacreditar (um enviado para estudar o DAK, concluiu que não tendo recursos suficientes, Rommel devia limitar-se à defesa sem atacar mais- o enviado era Von Paulus o futuro marechal alemão de Estalinegrado- ironias da história). Outro elemento a favor dos ingleses foi terem descodificado o código alemão de comunicação dando-lhes informações vitais (embora por vezes desastradamente interpretadas como foi no caso dos comunicados de Von Paulus, pois Rommel atacou os ingleses desprevenidos fazendo tábua rasa das considerações dos seus superiores).
sexta-feira, julho 02, 2004
quinta-feira, julho 01, 2004
Afrika Korps-I
Estou a acabar de ler um livro sobre o Afrika korps; este conseguiu obter uma fama admirável para os “fãs” da segunda grande guerra. Composto pela 5ª ligeira, as 15ª e 21ª divisões panzer tendo um cenário de guerra único (os desertos do norte de africa), e colocando por 2 anos em cheque exércitos bastante superiores, obtiveram uma fama de cavalheirismo pouco comum nos alemães (recordados sobretudo pelas sua eficiência... e extrema brutalidade).
Tudo começou em 1941 quando os italianos depois de sofrerem uma série de derrotas na Líbia contra os britânicos (rendiam-se aos milhares) foram obrigados a pedir ajuda aos alemães: Hitler enviou 3 divisões e Rommel. Nos 2 anos seguintes cobriu-se de glória, na vitória e na derrota. Não vou fazer uma cronologia desse exército prestigiado, mas apresentar algumas ideias do livro.
O afrika korps combateu num meio privilegiado para fazer a guerra: o deserto. Logo, nunca sofreu o problema de provocar vítimas civis (dado de que estes viviam nas poucas cidades que existiam e não viam combates ocorrer dentro delas). O facto de não terem unidades das SS, Gestapos, e outras unidades do género, reduzia o perigo de contaminação dos ideais nazis; a estadia num local tão remoto, sem grandes contactos e com raras licenças contribuiu para lhes dar valores e uma cultura próprios (e desenvolvendo uma identidade que os levaria 30 anos depois a continuarem a reunir-se); e sobretudo a influencia de Rommel que ignorava as ordens que considerava que violavam o espírito militar (fuzilamentos de comandos, retaliações contra actos de sabotagem): num incidente em que soldados italianos tentaram violar mulheres árabes e foram mal sucedidos (alguns deles sendo mortos), pediram a Rommel que fosse feita uma expedição punitiva para castiga-los; ele recusou e disse que não se insistisse mais no assunto.
Tudo começou em 1941 quando os italianos depois de sofrerem uma série de derrotas na Líbia contra os britânicos (rendiam-se aos milhares) foram obrigados a pedir ajuda aos alemães: Hitler enviou 3 divisões e Rommel. Nos 2 anos seguintes cobriu-se de glória, na vitória e na derrota. Não vou fazer uma cronologia desse exército prestigiado, mas apresentar algumas ideias do livro.
O afrika korps combateu num meio privilegiado para fazer a guerra: o deserto. Logo, nunca sofreu o problema de provocar vítimas civis (dado de que estes viviam nas poucas cidades que existiam e não viam combates ocorrer dentro delas). O facto de não terem unidades das SS, Gestapos, e outras unidades do género, reduzia o perigo de contaminação dos ideais nazis; a estadia num local tão remoto, sem grandes contactos e com raras licenças contribuiu para lhes dar valores e uma cultura próprios (e desenvolvendo uma identidade que os levaria 30 anos depois a continuarem a reunir-se); e sobretudo a influencia de Rommel que ignorava as ordens que considerava que violavam o espírito militar (fuzilamentos de comandos, retaliações contra actos de sabotagem): num incidente em que soldados italianos tentaram violar mulheres árabes e foram mal sucedidos (alguns deles sendo mortos), pediram a Rommel que fosse feita uma expedição punitiva para castiga-los; ele recusou e disse que não se insistisse mais no assunto.
terça-feira, junho 29, 2004
Regresso
Voltei depois de uma ausência de 2 semanas de férias. Aproveitei para ler mas ainda não tive tempo de escrever nada de substancial. Fica só então uma pequena anedota: O Marechal Kesselring da força aérea alemã na segunda guerra mundial (notabilizou-se curiosamente no comando das forças alemãs terrestres em itália), estava a sobrevoar Túnis num velho biplano; a Flak (defesa anti-aérea alemã)fez confusão e tentou destrui-lo; quando ele pousou, deu uma descompostura à flak... por ter falhado um alvo tão fácil como o seu avião!
Já agora, no domingo fizemos um ano de existência. Toda a equipa do tempore agradece aos nossos leitores e sobretudo ao J do Cruzes, que sempre nos apoiou (literalmente foi ele que criou o blog do ponto de vista informático).
Já agora, no domingo fizemos um ano de existência. Toda a equipa do tempore agradece aos nossos leitores e sobretudo ao J do Cruzes, que sempre nos apoiou (literalmente foi ele que criou o blog do ponto de vista informático).
terça-feira, junho 08, 2004
Tróia- I
Fui no sábado ao cinema ver o filme Tróia. Tinham-me avisado de que para gostar teria de esquecer o livro e ir sem preconceitos; ainda por cima cheguei 30 minutos atrasado (já só apanhei a viagem de Heitor e Paris). Deste modo, comparando o filme com outros épicos históricos recentes (gladiador), o filme faz boa figura (o filme foi consideravelmente mais curto para mim e não tive tempo de me aborrecer).
Não é histórico, nem o poderia ser, pois os acontecimentos reportam-se a uma mítica guerra do período micénico final (séc. XII a.c.), mas a sociedade que Homero descreve na Ilíada corresponde a uma amálgama de recordações dos séculos posteriores (sobretudo aquilo que é convencional chamar a “Idade das trevas grega” – séc. X a VIII a.c.. de uma sociedade dominada por heróis que rivalizam no campo de batalha para aumentarem a sua glória e fama individual. Como é complicado reproduzir na exactidão as indumentárias e cenários, fez-se uma mistura: os soldados são hoplitas, na recepção que Priámo faz aos filhos aparecem 2 popes; não é muito realista, mas também não é grave em si, dado que a Ilíada sendo um poema também não pretenderia ser realista nesses detalhes.
Passando à história em si, foi feita uma condensação dos acontecimentos (o poema em si, só tem mesmo a desavença de Aquiles com Aganémnon, o massacre dos gregos e o duelo final entre Aquiles e Heitor, com numerosas acções secundárias e intervenções de deuses), o que é normal, pois assim os espectadores ficam a perceber a história.
Tem acção, algumas cenas de batalha como é de esperar bem feitas embora nada de extraordinário (mas desde a cena inicial do soldado Ryan que é difícil fazer melhor), as reproduções em computador são habituais; os diálogos não são nada por aí além, mas também não se tornam ridículos. Fica-se com a ideia de que os diálogos servem para cortar o que seria um filme excessivamente monótono se fossem apenas batalhas (para mim, resultou, mas é uma opinião pessoal).
Quanto à representação das personagens (que foi o que deu mais controvérsia), a critica é bastante mais delicada: até que ponto a caracterização das personagens resulta da visão do realizador ou pelo contrário, da própria interpretação do próprio actor? Falando no caso mais óbvio: o Aquiles de Brad Pitt tem pouco a ver com o da Ilíada, funcionando mais como um mercenário implacável no momento da acção, apreciando poucas coisas (além de ter sido claramente inferior a Peter O’Toole no diálogo entre os dois), enquanto o da obra era sujeito a violentas paixões (e não só pelo Patróclo), preocupado com a sua glória e honra, mas bastante caprichoso. Heitor sempre foi um favorito das sociedades que se pretendem estáveis: alguém que cumpre o seu papel de forma obediente, luta e está disposto a morrer pela sua comunidade (claro que na Ilíada as coisas são um pouquinho diferente: ele vai combater contra Aquiles sabendo que vai morrer e deixar a sua comunidade, mulher e filho desamparados mas combate na mesma dado que a sua honra a tal o impele).
Os restantes personagens estão razoavelmente caracterizados (Páris, Menelau, Ulisses), mesmo que nem sempre muito fiel ao livro, não estando lá apenas para fazer número. O cinema épico actualmente adquiriu certos tiques de que não se livra: a morte de um herói, filmada lentamente (a flecha a atingir o calcanhar de Aquiles).
O filme é assim um bom entretenimento como filme ligeiro e se comparado com outros bem piores. Então qual é o problema? É que a Ilíada não é texto qualquer, é uma obra-prima e uma das obras fundadoras da literatura ocidental, e embora a realização e interpretação embora fossem razoáveis não passaram disso; daí a desilusão.
Não é histórico, nem o poderia ser, pois os acontecimentos reportam-se a uma mítica guerra do período micénico final (séc. XII a.c.), mas a sociedade que Homero descreve na Ilíada corresponde a uma amálgama de recordações dos séculos posteriores (sobretudo aquilo que é convencional chamar a “Idade das trevas grega” – séc. X a VIII a.c.. de uma sociedade dominada por heróis que rivalizam no campo de batalha para aumentarem a sua glória e fama individual. Como é complicado reproduzir na exactidão as indumentárias e cenários, fez-se uma mistura: os soldados são hoplitas, na recepção que Priámo faz aos filhos aparecem 2 popes; não é muito realista, mas também não é grave em si, dado que a Ilíada sendo um poema também não pretenderia ser realista nesses detalhes.
Passando à história em si, foi feita uma condensação dos acontecimentos (o poema em si, só tem mesmo a desavença de Aquiles com Aganémnon, o massacre dos gregos e o duelo final entre Aquiles e Heitor, com numerosas acções secundárias e intervenções de deuses), o que é normal, pois assim os espectadores ficam a perceber a história.
Tem acção, algumas cenas de batalha como é de esperar bem feitas embora nada de extraordinário (mas desde a cena inicial do soldado Ryan que é difícil fazer melhor), as reproduções em computador são habituais; os diálogos não são nada por aí além, mas também não se tornam ridículos. Fica-se com a ideia de que os diálogos servem para cortar o que seria um filme excessivamente monótono se fossem apenas batalhas (para mim, resultou, mas é uma opinião pessoal).
Quanto à representação das personagens (que foi o que deu mais controvérsia), a critica é bastante mais delicada: até que ponto a caracterização das personagens resulta da visão do realizador ou pelo contrário, da própria interpretação do próprio actor? Falando no caso mais óbvio: o Aquiles de Brad Pitt tem pouco a ver com o da Ilíada, funcionando mais como um mercenário implacável no momento da acção, apreciando poucas coisas (além de ter sido claramente inferior a Peter O’Toole no diálogo entre os dois), enquanto o da obra era sujeito a violentas paixões (e não só pelo Patróclo), preocupado com a sua glória e honra, mas bastante caprichoso. Heitor sempre foi um favorito das sociedades que se pretendem estáveis: alguém que cumpre o seu papel de forma obediente, luta e está disposto a morrer pela sua comunidade (claro que na Ilíada as coisas são um pouquinho diferente: ele vai combater contra Aquiles sabendo que vai morrer e deixar a sua comunidade, mulher e filho desamparados mas combate na mesma dado que a sua honra a tal o impele).
Os restantes personagens estão razoavelmente caracterizados (Páris, Menelau, Ulisses), mesmo que nem sempre muito fiel ao livro, não estando lá apenas para fazer número. O cinema épico actualmente adquiriu certos tiques de que não se livra: a morte de um herói, filmada lentamente (a flecha a atingir o calcanhar de Aquiles).
O filme é assim um bom entretenimento como filme ligeiro e se comparado com outros bem piores. Então qual é o problema? É que a Ilíada não é texto qualquer, é uma obra-prima e uma das obras fundadoras da literatura ocidental, e embora a realização e interpretação embora fossem razoáveis não passaram disso; daí a desilusão.
sexta-feira, junho 04, 2004
Suicídio
Algures na primeira metade do séc. XX, é pedido que um grupo de voluntários leve uma carga de explosivos até próximo de um bunquer inimigo e a faça detonar. Apresentam-se voluntários que são abatidos; novos voluntários desta vez conseguem fazê-lo, mas o inimigo apaga a mecha. Outro grupo de voluntários repete a tarefa e o mesmo sucede. O comandante dá uma ordem aos voluntários seguintes: eles terão de se certificar de que o inimigo não apague a mecha, ficando junto próximo a ela até explodir: basicamente, pede-lhes o suicídio; eles aceitam perfeitamente. A missão é levada em diante com sucesso.
Este episódio decorreu na guerra russo-japonesa de 1901, e os soldados eram claro, nipónicos. O oficial em situação normal deveria ser levado a tribunal marcial, pois não é aceitável a exigência de suicídio a soldados (situação apesar de tudo subtilmente diversa de ordens do género “corram para a trincheira inimiga com um ninho de metralhadoras”, ou “resistam às forças esmagadoras que vem na vossa direcção”, pois por vezes o imprevisto sucede), mas o caso foi abafado. Pior: os soldados foram apresentados como modelo de patriotismo e espírito marcial (busho), digno dos antigos samurais. O que é de espantar neste caso, é que eles eram de origem humilde (camponeses) e foram promovidos post-mortem, contando-se a sua história nas escolas para servir de exemplo às crianças, sendo-lhes mesmo erigidas estátuas. Aos poucos, os ideias que tinham sido apanágio de uma classe, foram sendo inculcados a toda a população, resultando em parte na tragédia que foi a participação japonesa na II guerra.
Este episódio decorreu na guerra russo-japonesa de 1901, e os soldados eram claro, nipónicos. O oficial em situação normal deveria ser levado a tribunal marcial, pois não é aceitável a exigência de suicídio a soldados (situação apesar de tudo subtilmente diversa de ordens do género “corram para a trincheira inimiga com um ninho de metralhadoras”, ou “resistam às forças esmagadoras que vem na vossa direcção”, pois por vezes o imprevisto sucede), mas o caso foi abafado. Pior: os soldados foram apresentados como modelo de patriotismo e espírito marcial (busho), digno dos antigos samurais. O que é de espantar neste caso, é que eles eram de origem humilde (camponeses) e foram promovidos post-mortem, contando-se a sua história nas escolas para servir de exemplo às crianças, sendo-lhes mesmo erigidas estátuas. Aos poucos, os ideias que tinham sido apanágio de uma classe, foram sendo inculcados a toda a população, resultando em parte na tragédia que foi a participação japonesa na II guerra.
segunda-feira, maio 31, 2004
Perseguições
Li recentemente ums artigo sobre a ascensão dos nazis. São referidos alguns pontos importantes sobre o anti-semitismo, embora não propriamente originais.
Embora os nazis fossem claramente racistas e anti-semitas, para a maioria dos alemães (que variariam entre o não racistas e o moderadamente racistas em situação normal, tal como a restante população europeia da época), isso não seria um obstáculo para votar neles: era considerada uma componente secundária do seu programa (tirar o país da crise, dar uma liderança forte). Os ataques que efectuavam contra outros grupos (comunistas, sociais-democratas, sindicatos), em vez de serem vistos como desordens, eram pelo contrário a demonstração que alguém estava a restabelecer a ordem. Ora, enquanto que os ataques contra os adversários políticos, eram um meio para atingir um fim (aterrorizar e quebrar a oposição), a violência contra os judeus representava um “bónus”, para as S.A., que davam largas à sua fúria (vandalizando lojas e espancando pessoas) contra um povo visto como inimigo e em que tudo valia (dado que não existia uma ideia concreta do que se devia fazer com eles). Mais, ao subirem ao poder isso permitiu com a erradicação dos cargos e funções que os judeus ocupavam, que numerosos nazis ou simples alemães ocupassem esse lugares. A própria educação da sociedade alemã que apelava a uma obediência à autoridade e uma tácita aceitação de que certas pessoas são mais adequadas que outras ao governo, facilitava essa tarefa (embora a posição nazi fosse extrema e não aceitável pela maioria das pessoas- em situação normal). Assim, por oportunismo, comodismo ou ódio sincero, poucas pessoas estavam dispostas a discutir uma situação que se tornava própria do ambiente (curiosamente, o velho Hindemburg exigiu que os veteranos de guerra fossem livres das discriminações, o Kaiser no seu exílio protestou contra essa política, e o exército conseguiu proteger com um par de excepções todos os oficiais com sangue judeu que eram numerosos
Embora os nazis fossem claramente racistas e anti-semitas, para a maioria dos alemães (que variariam entre o não racistas e o moderadamente racistas em situação normal, tal como a restante população europeia da época), isso não seria um obstáculo para votar neles: era considerada uma componente secundária do seu programa (tirar o país da crise, dar uma liderança forte). Os ataques que efectuavam contra outros grupos (comunistas, sociais-democratas, sindicatos), em vez de serem vistos como desordens, eram pelo contrário a demonstração que alguém estava a restabelecer a ordem. Ora, enquanto que os ataques contra os adversários políticos, eram um meio para atingir um fim (aterrorizar e quebrar a oposição), a violência contra os judeus representava um “bónus”, para as S.A., que davam largas à sua fúria (vandalizando lojas e espancando pessoas) contra um povo visto como inimigo e em que tudo valia (dado que não existia uma ideia concreta do que se devia fazer com eles). Mais, ao subirem ao poder isso permitiu com a erradicação dos cargos e funções que os judeus ocupavam, que numerosos nazis ou simples alemães ocupassem esse lugares. A própria educação da sociedade alemã que apelava a uma obediência à autoridade e uma tácita aceitação de que certas pessoas são mais adequadas que outras ao governo, facilitava essa tarefa (embora a posição nazi fosse extrema e não aceitável pela maioria das pessoas- em situação normal). Assim, por oportunismo, comodismo ou ódio sincero, poucas pessoas estavam dispostas a discutir uma situação que se tornava própria do ambiente (curiosamente, o velho Hindemburg exigiu que os veteranos de guerra fossem livres das discriminações, o Kaiser no seu exílio protestou contra essa política, e o exército conseguiu proteger com um par de excepções todos os oficiais com sangue judeu que eram numerosos
terça-feira, maio 25, 2004
Jogo musical-V
Os princípios do séc. XX representam um corte com a música com a tradição musical europeia (é certo que autores como Wagner, Mussorgsky e Mahler já tinham empregue na sua linguagem musical, recursos extremamente inovadores), mas neste período procurou-se criar deliberadamente novas expressões. A música atonal, o dodecafonismo e a experiência utilizando um sem número de timbres e gamas de sons de forma original deram à música erudita um carácter fragmentário e claramente original, que nunca mais parou até à actualidade. Diversos nomes se salientaram: Schoenberg como iniciador, Alban Berg e Webern (mais recentemente com o serialismo e minimalismo e autores como Boulez, Cage e Reich para referir só os mais famosos). Se o autor passa a ter uma liberdade sem precedentes, é no entanto de notar que em grande parte essa nova música erudita não beneficiou com a divulgação feita pelos meios modernos de comunicação, devido à sua natureza muito experimental e afastada das sonoridades mais tradicionais a que o publico está habituado.
Uma obra? Microcosmos de Bela Bartok (1881-1845). Interessou-se pela música popular de leste (era Húngaro) que recolheu, compilou e utilizou como material de base para as suas próprias composições (apesar de ser considerado imaginativo, cheio de recursos, a sua sonoridade não me agrada minimamente, questão de gostos). Incorporando muitas das inovações do seu tempo, fez uma síntese com a música do passado.
Uma obra? Microcosmos de Bela Bartok (1881-1845). Interessou-se pela música popular de leste (era Húngaro) que recolheu, compilou e utilizou como material de base para as suas próprias composições (apesar de ser considerado imaginativo, cheio de recursos, a sua sonoridade não me agrada minimamente, questão de gostos). Incorporando muitas das inovações do seu tempo, fez uma síntese com a música do passado.
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