segunda-feira, dezembro 15, 2003

Madame de Pompadour-I

O rei Luís XV teve a sorte de ter sempre gente a governar por ele. Bisneto de Luís XIV, sucedeu-lhe em 1715, mas sendo uma criança (5 anos de idade), a regência coube a Filipe, duque de Orleães, um devasso notório que passava boa parte do tempo em orgias; de qualquer modo tentou estabilizar as finanças que estavam um caos após as guerras do rei sol (nem sempre correndo bem, como no escândalo de Law, uma especulação que correu mal), levou uma política pacífica, abrandou o absolutismo e abriu de algum modo o regime ao devolver poderes ao parlamento. O cardeal Fleury foi mais bem sucedido, e com medidas de austeridade (e mantendo um bom entendimento com os outros países), levou a França à prosperidade. Com a sua morte (1743), o rei teve de começar a governar sozinho. Dedicou-se o que pôde, e para enganar o tédio da vida da corte de Versailles, participava em caçadas e arranjou amantes. Uma delas, Poisson, era de origem burguesa, o que provocou escândalo, dado que as favoritas eram sempre escolhidas dentro da alta aristocracia. Conseguiu cativar as boas graças do rei (tinha ela uns 24 anos), e recebeu o título de Marquesa de Pompadour (e uma série de propriedades, jóias, etc.), nome pelo qual ficou célebre na história.

sexta-feira, dezembro 12, 2003

HNN

Aproveitando a deixa do Parca, vou também recomendar uma página de Internet que me parece de consulta absolutamente obrigatória para quem se interessa por História. Trata-se da History News Network da George Mason University. Tal como o nome indica, é um portal de notícias sobre temática histórica, onde se recolhem artigos, polémicas, discussões sobre todos os temas possíveis e imagináveis. Quem quer saber o que a comunicação social (principalmente anglo-saxónica, mas também de outros países) diz sobre assuntos históricos, aqui é o lugar certo para procurar. Além disso também publica artigos próprios, onde, por exemplo, se corrigem erros historiográficos recorrentes. É um verdadeiro ponto de encontro entre História, Jornalismo, Política e Opinião Pública.

Kendo

Comecei recentemente a praticar kendo e por isso vou fazer um pequeno post sobre o assunto (o kendo, não sobre a minha experiência).
O Japão ao contrário da Europa no período medieval, desenvolveu verdadeiras escolas de treino no combate à espada (embora os cavaleiros medievais europeus fossem treinados desde a infância, isso era feito de forma informal em casa ou pelo tutor), com filosofias e técnicas distintas, que atraíam estudantes aos melhores mestres. O treino era feito com espadas de madeira, antes de se pegar em espadas. Mas mesmo um golpe de uma espada de madeira além de extremamente doloroso, podia provocar ferimentos razoavelmente graves (crânio e ossos partidos, etc). Com a pacificação do período Tokugawa, procurou-se elaborar um treino geral e comum, e começou-se a utilizar espadas feitas de bambu com armaduras parciais que garantiam um risco quase nulo de ferimentos.
Como técnica de combate procura desferir um golpe o mais depressa possível de modo a incapacitar o adversário, logo, aposta no ataque (compreendem assim melhor aquelas coreografias dos filmes de samurai, em que um combatente por ser mais rápido a mexer-se vence inúmeros adversários?). Não se preocupa assim em defender (ao contrário da esgrima), pois um adversário com os intestinos abertos (no caso de um duelo a sério) não dá mais problemas. Se os combates devido à técnica utilizada são curtos, a extrema exigência em termos físicos, também facilita a sua curta duração.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

Links

Este site contém numerosas fontes primárias na área de História Medieval, abarcando temas como a literatura, legislação, historiografia, teologia. Como exemplos: contém os decretos do concílio de Niceia (de que já falei num post), o épico os nibelungos, a história da decadência e queda do império romano de Gibbons (pronto, este não é uma fonte primária, mas é um clássico na mesma), os textos de Boécio, o manual do inquisidor de Bernardo Gui (o inquisidor do nome da rosa). Haja tempo de vida suficiente para se ler tudo, e ninguém tem desculpa para dizer que não pode ler essas obras porque são caras, não existem na sua biblioteca, estão esgotadas ou coisa do género. E que saiba ler inglês e latim.

terça-feira, dezembro 09, 2003

Agradecimentos

Queria agradecer a simpatia com que acolheram este último post e indicar um site nacional de pintura que me parece muito bom, cortesia de RP; de facto a imagem portuguesa que indiquei no post sobre iluminuras podia ser bonita, mas era apenas uma.

sexta-feira, dezembro 05, 2003

Iluminuras

Hoje decidi fazer alguma "propaganda" a um site porque acho que merece pela qualidade das imagens.
Contém algumas das fantásticas iluminuras do livro “Les três riches heures du Duc de Berry”. Para os que tem preguiça de ler em inglês, são iluminuras de um livro de horas (livro que continha as orações segundo as horas canónicas (vésperas, matinas, etc), acrescido de orações para certos dias santos especiais e para as missas). O patrono da obra foi o duque de Berry: politicamente era moderadamente incompetente, mas foi sempre um defensor da causa francesa contra os borguinhões e ingleses (com o resultado na batalha de Azincourt em 1415).
As imagens deste site mostram o quotidiano dos camponeses segundo as estações do ano; outras descrevem festas, banquetes e caçadas dos senhores. Característica do gótico tardio é a imensa riqueza de pormenores (alguns artistas chegariam ao ponto de saturar a imagem, a ponto de não se perceber qual o tema em questão- esta seria uma das criticas de Miguel Ângelo). As cores também são outra das maravilhas desta forma de arte: muito azul e uma variedade que não deixa de surpreender. Embora as leis da perspectiva não fossem conhecidas matematicamente, eram de algum modo intuídas. Lembremo-nos que o renascimento em Itália estava a dar os primeiros passos, mas o gótico estava a fechar com chave de ouro.

Mas para mostrar que cá dentro também se faziam coisas de excelente qualidade, aqui vai um link com uma imagem do apocalipse de Lorvão (depositado na Torre do Tombo).
É um manuscrito de finais do século XII, sobre o comentário ao apocalipse da autoria de Beato de Liebana (séc. VIII). O desenho para o olho não habituado pode aparecer algo tosco, mas como se pode observar as cores são muito mais quentes (para quem se recorda do livro “O nome da Rosa”, é feita essa referência dos apocalipse da península serem os melhores), e esta pequena amostra lusitana confirma-o plenamente (já agora, não posso deixar de agradecer à Patrícia por me ter ensinado como se colocam estes links que tanta dor de cabeça me deram, na ausência do meu conselheiro habitual que está de férias).

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Questões rápidas...

Hoje vou fazer um pequeno teste de conhecimentos. Sabem o que significa Jihaad? Acham que é Guerra Santa? Resposta errada. Significa esforçar-se (ou esforço, ou algo do género). A jihaad é o esforço que cada muçulmano deve fazer dentro de si.
E Intifada? Acham que é guerra das pedras? Lamento mas erraram novamente: significa reagir bem (segundo me asseguraram, é uma expressão muito usada no futebol quando uma equipa está a perder na 1ª parte e depois consegue recuperar na segunda).
Faz-nos pensar sobre o quanto o ocidente percebe do mundo muçulmano. E lembrem-se aqueles que acham que percebem ao menos da história do ocidente, que se acham que um cruzado é um tipo de armadura que vai matar infiéis numa cruzada, estão novamente enganados: o termo aplicava-se aos peregrinos que iam a Jerusalém e que levavam uma cruz bordada ao peito.