quinta-feira, dezembro 11, 2003
Links
Este site contém numerosas fontes primárias na área de História Medieval, abarcando temas como a literatura, legislação, historiografia, teologia. Como exemplos: contém os decretos do concílio de Niceia (de que já falei num post), o épico os nibelungos, a história da decadência e queda do império romano de Gibbons (pronto, este não é uma fonte primária, mas é um clássico na mesma), os textos de Boécio, o manual do inquisidor de Bernardo Gui (o inquisidor do nome da rosa). Haja tempo de vida suficiente para se ler tudo, e ninguém tem desculpa para dizer que não pode ler essas obras porque são caras, não existem na sua biblioteca, estão esgotadas ou coisa do género. E que saiba ler inglês e latim.
terça-feira, dezembro 09, 2003
Agradecimentos
Queria agradecer a simpatia com que acolheram este último post e indicar um site nacional de pintura que me parece muito bom, cortesia de RP; de facto a imagem portuguesa que indiquei no post sobre iluminuras podia ser bonita, mas era apenas uma.
sexta-feira, dezembro 05, 2003
Iluminuras
Hoje decidi fazer alguma "propaganda" a um site porque acho que merece pela qualidade das imagens.
Contém algumas das fantásticas iluminuras do livro “Les três riches heures du Duc de Berry”. Para os que tem preguiça de ler em inglês, são iluminuras de um livro de horas (livro que continha as orações segundo as horas canónicas (vésperas, matinas, etc), acrescido de orações para certos dias santos especiais e para as missas). O patrono da obra foi o duque de Berry: politicamente era moderadamente incompetente, mas foi sempre um defensor da causa francesa contra os borguinhões e ingleses (com o resultado na batalha de Azincourt em 1415).
As imagens deste site mostram o quotidiano dos camponeses segundo as estações do ano; outras descrevem festas, banquetes e caçadas dos senhores. Característica do gótico tardio é a imensa riqueza de pormenores (alguns artistas chegariam ao ponto de saturar a imagem, a ponto de não se perceber qual o tema em questão- esta seria uma das criticas de Miguel Ângelo). As cores também são outra das maravilhas desta forma de arte: muito azul e uma variedade que não deixa de surpreender. Embora as leis da perspectiva não fossem conhecidas matematicamente, eram de algum modo intuídas. Lembremo-nos que o renascimento em Itália estava a dar os primeiros passos, mas o gótico estava a fechar com chave de ouro.
Mas para mostrar que cá dentro também se faziam coisas de excelente qualidade, aqui vai um link com uma imagem do apocalipse de Lorvão (depositado na Torre do Tombo).
É um manuscrito de finais do século XII, sobre o comentário ao apocalipse da autoria de Beato de Liebana (séc. VIII). O desenho para o olho não habituado pode aparecer algo tosco, mas como se pode observar as cores são muito mais quentes (para quem se recorda do livro “O nome da Rosa”, é feita essa referência dos apocalipse da península serem os melhores), e esta pequena amostra lusitana confirma-o plenamente (já agora, não posso deixar de agradecer à Patrícia por me ter ensinado como se colocam estes links que tanta dor de cabeça me deram, na ausência do meu conselheiro habitual que está de férias).
Contém algumas das fantásticas iluminuras do livro “Les três riches heures du Duc de Berry”. Para os que tem preguiça de ler em inglês, são iluminuras de um livro de horas (livro que continha as orações segundo as horas canónicas (vésperas, matinas, etc), acrescido de orações para certos dias santos especiais e para as missas). O patrono da obra foi o duque de Berry: politicamente era moderadamente incompetente, mas foi sempre um defensor da causa francesa contra os borguinhões e ingleses (com o resultado na batalha de Azincourt em 1415).
As imagens deste site mostram o quotidiano dos camponeses segundo as estações do ano; outras descrevem festas, banquetes e caçadas dos senhores. Característica do gótico tardio é a imensa riqueza de pormenores (alguns artistas chegariam ao ponto de saturar a imagem, a ponto de não se perceber qual o tema em questão- esta seria uma das criticas de Miguel Ângelo). As cores também são outra das maravilhas desta forma de arte: muito azul e uma variedade que não deixa de surpreender. Embora as leis da perspectiva não fossem conhecidas matematicamente, eram de algum modo intuídas. Lembremo-nos que o renascimento em Itália estava a dar os primeiros passos, mas o gótico estava a fechar com chave de ouro.
Mas para mostrar que cá dentro também se faziam coisas de excelente qualidade, aqui vai um link com uma imagem do apocalipse de Lorvão (depositado na Torre do Tombo).
É um manuscrito de finais do século XII, sobre o comentário ao apocalipse da autoria de Beato de Liebana (séc. VIII). O desenho para o olho não habituado pode aparecer algo tosco, mas como se pode observar as cores são muito mais quentes (para quem se recorda do livro “O nome da Rosa”, é feita essa referência dos apocalipse da península serem os melhores), e esta pequena amostra lusitana confirma-o plenamente (já agora, não posso deixar de agradecer à Patrícia por me ter ensinado como se colocam estes links que tanta dor de cabeça me deram, na ausência do meu conselheiro habitual que está de férias).
quarta-feira, dezembro 03, 2003
Questões rápidas...
Hoje vou fazer um pequeno teste de conhecimentos. Sabem o que significa Jihaad? Acham que é Guerra Santa? Resposta errada. Significa esforçar-se (ou esforço, ou algo do género). A jihaad é o esforço que cada muçulmano deve fazer dentro de si.
E Intifada? Acham que é guerra das pedras? Lamento mas erraram novamente: significa reagir bem (segundo me asseguraram, é uma expressão muito usada no futebol quando uma equipa está a perder na 1ª parte e depois consegue recuperar na segunda).
Faz-nos pensar sobre o quanto o ocidente percebe do mundo muçulmano. E lembrem-se aqueles que acham que percebem ao menos da história do ocidente, que se acham que um cruzado é um tipo de armadura que vai matar infiéis numa cruzada, estão novamente enganados: o termo aplicava-se aos peregrinos que iam a Jerusalém e que levavam uma cruz bordada ao peito.
E Intifada? Acham que é guerra das pedras? Lamento mas erraram novamente: significa reagir bem (segundo me asseguraram, é uma expressão muito usada no futebol quando uma equipa está a perder na 1ª parte e depois consegue recuperar na segunda).
Faz-nos pensar sobre o quanto o ocidente percebe do mundo muçulmano. E lembrem-se aqueles que acham que percebem ao menos da história do ocidente, que se acham que um cruzado é um tipo de armadura que vai matar infiéis numa cruzada, estão novamente enganados: o termo aplicava-se aos peregrinos que iam a Jerusalém e que levavam uma cruz bordada ao peito.
segunda-feira, dezembro 01, 2003
A Caaba
Aproveitando o recente findar da festa do Ramadão, aqui lanço umas pistas sobre o Santuário da Cidade Santa Muçulmana que é Meca: A (Al-)Kaaba, que contém nela a Pedra Negra, um meteorito semelhante a um bétilo.
A palavra etimologicamente designa o que é quadrado, mas também os seios de uma virgem, e foi relacionada ao nome da deusa Kaabou, dado poe Santo Epifânio à deusa virgem, mãe de Dusares. Essa estrutura quadrada, na qual foi integrada a Pedra Negra no tempo de Maomé, abrigaria um bétilo, simbolo da deusa-mãe. Durante a época pré-islâmica o santuário foi contornado pela muralha sagrada (Hâram) e estava coberto por um tecido que foi queimado na juventude de Maomé, antes de ter iniciado a sua missão religiosa. Não sendo possível qualquer qualquer escavação no local, é difícil determinar a época da fundação do santuário, apesar das várias propostas. A sua construção deve ter-se iniciado pelo início da nossa era, embora o culto da Pedra Negra seja muito anterior. Segundo as tradições muçulmanas, influenciadas pelos textos bíblicos, situam neste santuário o sacrifício do filho de Abraão , e que lhe atribui a sua construção. A sua origem nabateia é possível, embora não tenha sido demonstrada. O santuário está ligado à fundação de Meca, em redor de um ponto de água, importantíssima na região desértica que medeia as regiões do Sul, produtoras de incenso, e a actual Jordânia, aonde chegavam as caravanas. O nome dessa nascente, Zamzam, foi ligado ao da divindade suméria Zababa. Seja como for, possuía um carácter sagrado que permitiu a fundação do santuário com o seu bétilo. Durante os séculos que precederam o islamismo, a Caaba tornou-se, certamente por questões económicas e em consequência da ascendente importância da família Quraychitas na Arábia, um lugar de peregrinação para numerosas tribos árabes. No seu Harâm estavam representadas todas as divindades da antiga Arábia e dos países vizinhos, trezentas e sessenta no total, quer sob a forma de bétilos ou de estátuas, quer pintadas. Assim, via-se aí uma representação de Jesus (Isa) e da virgem maria.
A palavra etimologicamente designa o que é quadrado, mas também os seios de uma virgem, e foi relacionada ao nome da deusa Kaabou, dado poe Santo Epifânio à deusa virgem, mãe de Dusares. Essa estrutura quadrada, na qual foi integrada a Pedra Negra no tempo de Maomé, abrigaria um bétilo, simbolo da deusa-mãe. Durante a época pré-islâmica o santuário foi contornado pela muralha sagrada (Hâram) e estava coberto por um tecido que foi queimado na juventude de Maomé, antes de ter iniciado a sua missão religiosa. Não sendo possível qualquer qualquer escavação no local, é difícil determinar a época da fundação do santuário, apesar das várias propostas. A sua construção deve ter-se iniciado pelo início da nossa era, embora o culto da Pedra Negra seja muito anterior. Segundo as tradições muçulmanas, influenciadas pelos textos bíblicos, situam neste santuário o sacrifício do filho de Abraão , e que lhe atribui a sua construção. A sua origem nabateia é possível, embora não tenha sido demonstrada. O santuário está ligado à fundação de Meca, em redor de um ponto de água, importantíssima na região desértica que medeia as regiões do Sul, produtoras de incenso, e a actual Jordânia, aonde chegavam as caravanas. O nome dessa nascente, Zamzam, foi ligado ao da divindade suméria Zababa. Seja como for, possuía um carácter sagrado que permitiu a fundação do santuário com o seu bétilo. Durante os séculos que precederam o islamismo, a Caaba tornou-se, certamente por questões económicas e em consequência da ascendente importância da família Quraychitas na Arábia, um lugar de peregrinação para numerosas tribos árabes. No seu Harâm estavam representadas todas as divindades da antiga Arábia e dos países vizinhos, trezentas e sessenta no total, quer sob a forma de bétilos ou de estátuas, quer pintadas. Assim, via-se aí uma representação de Jesus (Isa) e da virgem maria.
quarta-feira, novembro 26, 2003
Vikings-III
Para terminar este assunto, o que levou ao fim da saga dos vikings?
Várias explicações são normalmente apresentadas. Por um lado, as populações dos países atacados na Europa reagiram agrupando-se e refugiando-se junto aos senhores locais que os protegeriam (instituindo o feudalismo), e tornando menos proveitosas as pequenas expedições. Com o ano mil, começaram também a reorganizar-se os estados, preparando-os melhor para a defesa contra essas razias.
Aos poucos, foram-se formando estados cada vez mais centralizados que foram instituindo alguma ordem nos emergentes estados escandinavos e diminuindo os conflitos internos (e a necessidade de grupos se porem à aventura), e dedicando-se à guerra entre nações, formando os núcleos do que seriam um dia a Dinamarca, Suécia, e Noruega.
Depois das primeiras levas andarem a pilhar o que podiam, os grupos seguintes foram-se fixando e fundando estados (Normandia, sul de Itália, Sicília, Rússia), aliviando a pressão demográfica que for apresentado como causa dessa migração e aumentando a ordem e estabilidade (e permitindo que novos grupos de vikings migrassem pacificamente). Esses novos estados iriam é certo manter uma forte agressividade (os normandos da Normandia invadiram a Inglaterra, os do sul de Itália iriam provocar dores de cabeça ao Papa e ao Sacro-Império), até progressivamente perderem a sua identidade nos finais do séc. XII e XIII. A cristianização dos vikings, deveria também, ter levado a uma certa diminuição do seu ardor guerreiro (ou pelo menos a uma escolha mais selectiva dos seus alvos do que os mosteiros indefesos), com o abandono da moral que lhes garantia a entrada no Valhahala se morressem de espada na mão. E apesar de continuarem a dedicar-se à guerra, esta era feita de uma forma mais respeitável, contra estados e barcos com o qual se estavam em guerra e muçulmanos e não contra aldeias que apenas estivessem na rota de viagem.
Várias explicações são normalmente apresentadas. Por um lado, as populações dos países atacados na Europa reagiram agrupando-se e refugiando-se junto aos senhores locais que os protegeriam (instituindo o feudalismo), e tornando menos proveitosas as pequenas expedições. Com o ano mil, começaram também a reorganizar-se os estados, preparando-os melhor para a defesa contra essas razias.
Aos poucos, foram-se formando estados cada vez mais centralizados que foram instituindo alguma ordem nos emergentes estados escandinavos e diminuindo os conflitos internos (e a necessidade de grupos se porem à aventura), e dedicando-se à guerra entre nações, formando os núcleos do que seriam um dia a Dinamarca, Suécia, e Noruega.
Depois das primeiras levas andarem a pilhar o que podiam, os grupos seguintes foram-se fixando e fundando estados (Normandia, sul de Itália, Sicília, Rússia), aliviando a pressão demográfica que for apresentado como causa dessa migração e aumentando a ordem e estabilidade (e permitindo que novos grupos de vikings migrassem pacificamente). Esses novos estados iriam é certo manter uma forte agressividade (os normandos da Normandia invadiram a Inglaterra, os do sul de Itália iriam provocar dores de cabeça ao Papa e ao Sacro-Império), até progressivamente perderem a sua identidade nos finais do séc. XII e XIII. A cristianização dos vikings, deveria também, ter levado a uma certa diminuição do seu ardor guerreiro (ou pelo menos a uma escolha mais selectiva dos seus alvos do que os mosteiros indefesos), com o abandono da moral que lhes garantia a entrada no Valhahala se morressem de espada na mão. E apesar de continuarem a dedicar-se à guerra, esta era feita de uma forma mais respeitável, contra estados e barcos com o qual se estavam em guerra e muçulmanos e não contra aldeias que apenas estivessem na rota de viagem.
sexta-feira, novembro 21, 2003
Derrotas coloniais-IV
Que se note que o conselho dos XIX (órgão que liderava a companhia) se esforçava para resolver esses problemas, nomeando pessoas competentes com uma folha de serviço o mais adequado possível; o problema era que a estratégia perfeita para corso e enriquecimento rápido não se coadunava com investimentos a longo prazo de retorno duvidoso; uma expedição de saque trazia lucros imediatos, enquanto que preparar e manter a conquista exigia a manutenção de guarnições, tropas e frotas de socorro durante anos a fio para a guerra, ou seja unicamente dinheiro a sair e pouco ou nenhum a entrar. Portugal podia dar-se a esse luxo, uma vez que a manutenção do seu império era vital para a sua sobrevivência como estado independente, enquanto que nos Países-Baixos, via-se o comércio como a actividade prioritária, a guerra só em caso de último recurso ou se os riscos fossem mínimos. Ou seja, sobreviveria não apenas quem tivesse recursos, mas quem os sacrificasse sem remorsos à guerra.
Claro que os cenários foram muito diferentes uns dos outros: S. Tomé povoada por portugueses que se dedicavam à plantação de açúcar, pouca resistência ofereceu, colaborou activamente com os neerlandeses e só deu problemas no fim (e mesmo assim, “comprou” a retirada dos ocupantes). Em Pernambuco, a anos pacíficos sob o governo do Conde de Nassau, sucederam confrontos e guerrilhas quando a ocupação endureceu um pouco (mas não tanto assim que justificasse a reacção portuguesa!). Em Angola, a guerra pode-se dizer que foi praticamente contínua, com uns breves intervalos, usando-se as tribos indígenas como auxiliares, devastando-se aldeias e massacrando-se populações (alguns acabaram por ser mais astutos e iam balançando de acordo com a sorte das armas).
A Companhia das Índias Ocidentais depois de um começo promissor acabou por perder em quase todas as frentes: foi corrida de Angola, S. Tomé, Brasil, da Baia de Hudson, do comércio no Canadá. Conseguiu sobreviver com algumas feitorias na costa do Ouro e com os escravos obtidos aí, lá pode manter e desenvolver os territórios das Caraíbas que conquistara.
Claro que os cenários foram muito diferentes uns dos outros: S. Tomé povoada por portugueses que se dedicavam à plantação de açúcar, pouca resistência ofereceu, colaborou activamente com os neerlandeses e só deu problemas no fim (e mesmo assim, “comprou” a retirada dos ocupantes). Em Pernambuco, a anos pacíficos sob o governo do Conde de Nassau, sucederam confrontos e guerrilhas quando a ocupação endureceu um pouco (mas não tanto assim que justificasse a reacção portuguesa!). Em Angola, a guerra pode-se dizer que foi praticamente contínua, com uns breves intervalos, usando-se as tribos indígenas como auxiliares, devastando-se aldeias e massacrando-se populações (alguns acabaram por ser mais astutos e iam balançando de acordo com a sorte das armas).
A Companhia das Índias Ocidentais depois de um começo promissor acabou por perder em quase todas as frentes: foi corrida de Angola, S. Tomé, Brasil, da Baia de Hudson, do comércio no Canadá. Conseguiu sobreviver com algumas feitorias na costa do Ouro e com os escravos obtidos aí, lá pode manter e desenvolver os territórios das Caraíbas que conquistara.
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