terça-feira, setembro 02, 2003
Comida inglesa deliciosa
Na primeira metade do séc. XV, o rei de Inglaterra Henrique VI era candidato ao trono francês. Possuindo a cidade de Paris, foi coroado rei de França. Por ocasião das festividades, foi dado um grande banquete no qual estavam convidados parte da população de Paris: a nobreza, clérigos, a burguesia, mesteirais e quem conseguisse entrar. Mas deu-se um pormenor desagradável: os cozinheiros eram ingleses. O resultado foi que os convidados não comeram quase nada devendo ficar para os criados (como era tradicional, os restos iam para os criados). Mas estes acharam-na também imprestável. Decidiu-se então dá-la aos hospitais (que na época funcionavam também em parte como albergues para pobres), mas mesmo os residentes não gostaram. Para os que acham que esta estória é mais uma prova de chauvinismo francês, ela foi relatada por um defensor da causa inglesa e que ficou contente quando viu a Joana d’Arc arder (é um clérigo anónimo de que apenas se sabe que ensinava na Universidade de Paris). Faz-nos duvidar da capacidade de evolução dos povos.
quinta-feira, agosto 28, 2003
Saló- II
Uma vez libertado, Mussolini proclamou a república de Saló (nome de uma pequena cidade do norte). O novo regime pretendia seria um fascismo renovado, com uma segunda “revolução”, sem as cedências feitas à burguesia, aristocracia e igreja, como em 1922, procurando ser populista. Na realidade iria tornar-se um estado fantoche ao serviço dos alemães. A maior parte do exército italiano fora desmobilizado ou internado em campos de concentração pelos alemães com o armistício. Novas forças seriam recrutadas, assim como um depuramento do velho partido fascista, pretendendo-se apenas duros e fieis à causa.. Na realidade essas forças serviriam sobretudo para o policiamento contra os partisans e caça aos judeus e outros adversários, tornando-os aos olhos da população meros esbirros dos nazis, sendo a legalidade representada pelo governo de Badoglio (toda a oposição aceitara apoia-lo momentaneamente, desde conservadores católicos até comunistas). A maior parte da frota italiana conseguira desertar para o campo aliado. A aviação seria dividida, acabando os aviadores de Saló por ser integrados na força aérea alemã. Na infantaria alguns dos voluntários terminariam nas SS. Estando o controle do território nas mãos alemãs, podemos estabelecer o fim da república de Saló em dois acontecimentos diferentes: a rendição do Reich e a execução de Mussolini em Abril de 1945.
quarta-feira, agosto 27, 2003
Marte
Já que o planeta Marte está aí próximo, aproveito para falar um pouco deste deus. Pai dos gémeos fundadores de Roma, deus da Guerra, parece que foi na origem um deus ligado à terra. Várias das suas características foram “emprestadas” do Ares grego. O seu culto era prestado sobretudo a nível institucional nas legiões, juntamente com a Vitória, embora alguns legionários a título individual também o adorassem. No entanto nos 2 primeiros séculos do império a preferência dos soldados ia para Fortuna, a deusa da sorte ou qualquer outra divindade que lhes pudesse assegurar a sua preservação física. Mesmo os imperadores romanos que se identificavam com deuses preferiam faze-lo com Júpiter ou Hércules. Marte nunca foi assim muito popular. Nos séculos seguintes antes do advento do cristianismo, os cultos orientais (sobretudo de Mitra), fizeram numerosos fiéis. Depois do estabelecimento do cristianismo, o culto foi abandonado (mau grado a breve tentativa de restauração do paganismo por Juliano o Apóstata em meados do séc. IV) no exército e desapareceu. Durante a Idade Média e o renascimento, a literatura e escultura usariam a figura de Marte (assim como de outros deuses) como figura simbólica.
O planeta mais próximo do nosso seria baptizado com o nome do velho deus do Lácio, e Holst faria depois da primeira Guerra Mundial uma música extremamente bélica. A literatura e cinemas contemporâneos manteriam o nome vivo, ligado à ficção científica.
O planeta mais próximo do nosso seria baptizado com o nome do velho deus do Lácio, e Holst faria depois da primeira Guerra Mundial uma música extremamente bélica. A literatura e cinemas contemporâneos manteriam o nome vivo, ligado à ficção científica.
terça-feira, agosto 26, 2003
Saló
Para aqueles que achavam que isto ia ser um blog unicamente medieval, cá vai o desenjoo.
O regime fascista estava em 1943 numa situação periclitante: as derrotas do Eixo no norte de Africa (sobretudo a queda da Tunísia) faziam prever um breve desembarque aliado em Itália. Correndo o risco de ver o seu país transformado em campo de batalha, começaram as pressões para se mudar de campo enquanto era tempo, parecendo ignorar que os aliados pretendiam a capitulação incondicional, mesmo que não levassem os italianos muito a sério como adversário: prova disso é que muitos dos prisioneiro que sabiam falar inglês ou tinham estado nos E.U.A., eram depois incorporados no exército americano em tarefas de retaguarda.
Mussolini demasiado comprometido na aliança (e não vendo de qualquer maneira viabilidade nessa mudança consigo no poder) recusou. Formou-se então uma aliança entre alguns dignitários fascistas (nomeadamente Ciano, genro do Duce), membros do exército (com Badoglio à frente) e o rei. Numa reunião do grande conselho fascista (que sempre se limitara a funções decorativas e consultivas), Mussolini foi destituído. O rei mandou prende-lo e Badoglio tomou posse provisoriamente.
Começaram-se a entabular conversações com os aliados para o pronto desembarque destes, enquanto que se informava Hitler que o Eixo se mantinha, apenas sem Mussolini, e este aceitava. O problema é que os aliados nunca tinham previsto um evento desses e não estavam preparados para acudir a Itália por razões de logística; foram lançando cada vez mais condições (que os italianos aceitaram sem hesitações, uma vez que só se pretendiam livrar dos alemães) até exigiram a pronta capitulação. Foi aceite e tornada pública pelos aliados.
Quando os alemães souberam da traição do seu aliado, reagiram como os aliados não conseguiam: enviaram várias divisões acantonadas na fronteira no norte ou que estavam já em território italiano para ajudar e ocuparam quase todo o terreno. Entretanto um grupo de para-quedistas libertou Mussolini, embora por razões políticas, os louros fossem todos para os SS de Skorzeni.
O regime fascista estava em 1943 numa situação periclitante: as derrotas do Eixo no norte de Africa (sobretudo a queda da Tunísia) faziam prever um breve desembarque aliado em Itália. Correndo o risco de ver o seu país transformado em campo de batalha, começaram as pressões para se mudar de campo enquanto era tempo, parecendo ignorar que os aliados pretendiam a capitulação incondicional, mesmo que não levassem os italianos muito a sério como adversário: prova disso é que muitos dos prisioneiro que sabiam falar inglês ou tinham estado nos E.U.A., eram depois incorporados no exército americano em tarefas de retaguarda.
Mussolini demasiado comprometido na aliança (e não vendo de qualquer maneira viabilidade nessa mudança consigo no poder) recusou. Formou-se então uma aliança entre alguns dignitários fascistas (nomeadamente Ciano, genro do Duce), membros do exército (com Badoglio à frente) e o rei. Numa reunião do grande conselho fascista (que sempre se limitara a funções decorativas e consultivas), Mussolini foi destituído. O rei mandou prende-lo e Badoglio tomou posse provisoriamente.
Começaram-se a entabular conversações com os aliados para o pronto desembarque destes, enquanto que se informava Hitler que o Eixo se mantinha, apenas sem Mussolini, e este aceitava. O problema é que os aliados nunca tinham previsto um evento desses e não estavam preparados para acudir a Itália por razões de logística; foram lançando cada vez mais condições (que os italianos aceitaram sem hesitações, uma vez que só se pretendiam livrar dos alemães) até exigiram a pronta capitulação. Foi aceite e tornada pública pelos aliados.
Quando os alemães souberam da traição do seu aliado, reagiram como os aliados não conseguiam: enviaram várias divisões acantonadas na fronteira no norte ou que estavam já em território italiano para ajudar e ocuparam quase todo o terreno. Entretanto um grupo de para-quedistas libertou Mussolini, embora por razões políticas, os louros fossem todos para os SS de Skorzeni.
segunda-feira, agosto 25, 2003
Espancamentos
Do Imperador bizantino Leão VI (866-912) contava-se uma estória curiosa.
Ele apreciava saber o grau de honestidade dos seus funcionários e por isso andava incógnito na rua. Um dia estava a andar de noite quando foi preso por uma patrulha (o recolher era obrigatório a menos que se estivesse em missão) e subornou-os. Passado algum tempo encontrou outra patrulha e voltou a suborna-los. Encontrou uma terceira patrulha e tentou suborna-nos: deram-lhe uma sova e despojaram-no das roupas. De manhã identificou-se ao carcereiro, voltou ao palácio, mandou chamar as varias patrulhas, mandou recompensar os que o tinham espancado e castigar os que ele tinha subornado.
Ele apreciava saber o grau de honestidade dos seus funcionários e por isso andava incógnito na rua. Um dia estava a andar de noite quando foi preso por uma patrulha (o recolher era obrigatório a menos que se estivesse em missão) e subornou-os. Passado algum tempo encontrou outra patrulha e voltou a suborna-los. Encontrou uma terceira patrulha e tentou suborna-nos: deram-lhe uma sova e despojaram-no das roupas. De manhã identificou-se ao carcereiro, voltou ao palácio, mandou chamar as varias patrulhas, mandou recompensar os que o tinham espancado e castigar os que ele tinha subornado.
quinta-feira, agosto 21, 2003
As cruzadas-IV
A quarta cruzada... Pode-se-lhe verdadeiramente chamar cruzada?
O Papa Inocêncio III apelou a uma cruzada em 1198 para conquistar Jerusalém (o objectivo falhado da III cruzada), mas os preparativos começariam 2 anos depois. Vários grandes senhores trouxeram exércitos e estipularam um acordo com Veneza que transportaria essas tropas na sua frota em troca de uma quantia. O problema é que muitos dos senhores acabaram por não ir, e os que foram não tinham condições para pagar o valor estipulado (que era fixo). Foi criado um novo acordo então: os cruzados conquistariam Zara, uma cidade veneziana na Dalmácia que se revoltara em troca de um adiamento do pagamento. Entretanto chegaram notícias de Bizâncio. O Imperador Isaac II fora derrubado pelo seu irmão Alexius III e fora cegado. Ora o filho de Isac II, de nome Alexius IV conseguira fugir e apelara aos cruzados para o ajudarem: em troca de o colocarem no trono prometia-lhes dinheiro e os recursos do império para a conquista de Jerusalém. Ainda hoje os historiadores discutem se as coisas se passaram assim ou se foi uma justificação para o que se iria suceder. Os cruzados aceitaram imediatamente uma vez que isso parecia resolver os seus problemas. Partiram em 1202. O Papa considerou que se atacassem território cristão (nomeadamente Zara) ficariam excomungados. A cidade foi conquistada e depois de deixarem passar o Inverno atacaram Constantinopla. A cidade resistiu, mas o imperador Alexius III acabou por fugir com o tesouro da cidade. Com novos impostos a ser lançados para pagar as promessas feitas aos cruzados, rapidamente a população ficou à beira da revolta. Alexius V, um parente afastado fez um golpe matando Alexius IV e colocando novamente na prisão Isaac II que fora libertado pelos cruzados e governara com o filho. Os cruzados decidiram então conquistar em proveito próprio o império, nomear um imperador latino e dividir os territórios. Alexius V fugiu com algum tesouro e a cidade foi saqueada pelos latinos durante 3 dias. Estátuas, mosaicos, relíquias, riquezas acumuladas durante quase um milénio foram pilhadas ou destruídas durante os incêndios. A cidade sofreu um golpe tão terrível que nunca mais conseguiu se recompor, mesmo depois de voltar a ser grega em 1261. E assim terminou a IV cruzada, pois ninguém pensou mais em dirigir-se para Jerusalém: a maioria regressou com o que roubara, alguns ficaram com feudos no oriente.
O Papa Honório III pregaria uma nova cruzada que arrancaria em 1217 (a V). Decidiu-se que para se conquistar Jerusalém era necessário conquistar o Egipto primeiro, uma vez que este controlava esse território. Desembarcados em Acre, decidiram atacar Damietta, cidade que servia de acesso ao Cairo, a capital. Depois de conquistar uma pequena fortaleza de acesso aguardaram reforços e meteram-se a caminho. Depois de alguns combates, e quando tudo parecia perdido, uma série de crises na liderança egípcia, permitiam os cruzados ocupar o campo inimigo. O sultão acabou por oferecer o reino de Jerusalém e uma enorme quantia se os cristãos retirassem; o cardeal Pelágio que se tornara num dos chefes da expedição acabou por convencer os restantes a recusar. Começaram a cercar Damietta e depois de algumas batalhas sofreram uma derrota. O sultão renovou a proposta, mas foi novamente recusada. Depois de um longo cerco que durou de Fevereiro a novembro a cidade caiu. Os conflitos entre os cruzados agudizaram-se e perdeu-se tanto tempo que os egípcios recuperaram forças. Reforços até 1221 chegaram aos cristãos. Lançaram-se numa ofensiva, mas os muçulmanos foram retirando e levando os cruzados a uma armadilha; sem comida e cercados acabaram por ter de chegar a um acordo: retiravam do Egipto e tinham as vidas salvas.
A VI cruzada foi protagonizada pelo Imperador Frederico II. Partiu com um exército que foi diminuindo com as deserções, e uma semi-hostilidade das forças cristãs locais devido à sua excomunhão pelo Papa. Com negociações conseguiu que Jerusalém e outras cidades fossem entregues, embora fosse muito criticado por não ter combatido. Algum tempo depois de se ir embora, a cidade seria novamente perdida.
Finalmente a VII cruzada foi novamente obra de um só soberano, Luís IX de França (ou S. Luís como foi recordado), em 1249.
Desembarcou directamente no Egipto e depois de alguns combates, conquistaram Damietta. Novamente o sultão ofereceu Jerusalém e novamente foi recusado. Em Mansurá, depois de quase terem vencido, os cruzados são derrotados pela imprudência do irmão do rei, Roberto de Artois. Depois de uma retirada desastrosa, o exército puramente rendeu-se. Só a resistência da rainha francesa em Damietta, permitiu que se conseguisse negociar com os egípcios. Luís ficou mais algum tempo e conseguiu salvar o território de Outremer (indirectamente, as invasões mongóis deram o seu contributo), e décadas mais tarde preparou uma nova cruzada, mas morrendo na expedição.
Deste modo terminavam as cruzadas no oriente. Alguns grupos ainda partiram para, mas nunca mais se gerou entusiasmo nem foram preparadas grandes expedições. Rapidamente os poucos territórios que restavam seriam reconquistados pelos muçulmanos.
O Papa Inocêncio III apelou a uma cruzada em 1198 para conquistar Jerusalém (o objectivo falhado da III cruzada), mas os preparativos começariam 2 anos depois. Vários grandes senhores trouxeram exércitos e estipularam um acordo com Veneza que transportaria essas tropas na sua frota em troca de uma quantia. O problema é que muitos dos senhores acabaram por não ir, e os que foram não tinham condições para pagar o valor estipulado (que era fixo). Foi criado um novo acordo então: os cruzados conquistariam Zara, uma cidade veneziana na Dalmácia que se revoltara em troca de um adiamento do pagamento. Entretanto chegaram notícias de Bizâncio. O Imperador Isaac II fora derrubado pelo seu irmão Alexius III e fora cegado. Ora o filho de Isac II, de nome Alexius IV conseguira fugir e apelara aos cruzados para o ajudarem: em troca de o colocarem no trono prometia-lhes dinheiro e os recursos do império para a conquista de Jerusalém. Ainda hoje os historiadores discutem se as coisas se passaram assim ou se foi uma justificação para o que se iria suceder. Os cruzados aceitaram imediatamente uma vez que isso parecia resolver os seus problemas. Partiram em 1202. O Papa considerou que se atacassem território cristão (nomeadamente Zara) ficariam excomungados. A cidade foi conquistada e depois de deixarem passar o Inverno atacaram Constantinopla. A cidade resistiu, mas o imperador Alexius III acabou por fugir com o tesouro da cidade. Com novos impostos a ser lançados para pagar as promessas feitas aos cruzados, rapidamente a população ficou à beira da revolta. Alexius V, um parente afastado fez um golpe matando Alexius IV e colocando novamente na prisão Isaac II que fora libertado pelos cruzados e governara com o filho. Os cruzados decidiram então conquistar em proveito próprio o império, nomear um imperador latino e dividir os territórios. Alexius V fugiu com algum tesouro e a cidade foi saqueada pelos latinos durante 3 dias. Estátuas, mosaicos, relíquias, riquezas acumuladas durante quase um milénio foram pilhadas ou destruídas durante os incêndios. A cidade sofreu um golpe tão terrível que nunca mais conseguiu se recompor, mesmo depois de voltar a ser grega em 1261. E assim terminou a IV cruzada, pois ninguém pensou mais em dirigir-se para Jerusalém: a maioria regressou com o que roubara, alguns ficaram com feudos no oriente.
O Papa Honório III pregaria uma nova cruzada que arrancaria em 1217 (a V). Decidiu-se que para se conquistar Jerusalém era necessário conquistar o Egipto primeiro, uma vez que este controlava esse território. Desembarcados em Acre, decidiram atacar Damietta, cidade que servia de acesso ao Cairo, a capital. Depois de conquistar uma pequena fortaleza de acesso aguardaram reforços e meteram-se a caminho. Depois de alguns combates, e quando tudo parecia perdido, uma série de crises na liderança egípcia, permitiam os cruzados ocupar o campo inimigo. O sultão acabou por oferecer o reino de Jerusalém e uma enorme quantia se os cristãos retirassem; o cardeal Pelágio que se tornara num dos chefes da expedição acabou por convencer os restantes a recusar. Começaram a cercar Damietta e depois de algumas batalhas sofreram uma derrota. O sultão renovou a proposta, mas foi novamente recusada. Depois de um longo cerco que durou de Fevereiro a novembro a cidade caiu. Os conflitos entre os cruzados agudizaram-se e perdeu-se tanto tempo que os egípcios recuperaram forças. Reforços até 1221 chegaram aos cristãos. Lançaram-se numa ofensiva, mas os muçulmanos foram retirando e levando os cruzados a uma armadilha; sem comida e cercados acabaram por ter de chegar a um acordo: retiravam do Egipto e tinham as vidas salvas.
A VI cruzada foi protagonizada pelo Imperador Frederico II. Partiu com um exército que foi diminuindo com as deserções, e uma semi-hostilidade das forças cristãs locais devido à sua excomunhão pelo Papa. Com negociações conseguiu que Jerusalém e outras cidades fossem entregues, embora fosse muito criticado por não ter combatido. Algum tempo depois de se ir embora, a cidade seria novamente perdida.
Finalmente a VII cruzada foi novamente obra de um só soberano, Luís IX de França (ou S. Luís como foi recordado), em 1249.
Desembarcou directamente no Egipto e depois de alguns combates, conquistaram Damietta. Novamente o sultão ofereceu Jerusalém e novamente foi recusado. Em Mansurá, depois de quase terem vencido, os cruzados são derrotados pela imprudência do irmão do rei, Roberto de Artois. Depois de uma retirada desastrosa, o exército puramente rendeu-se. Só a resistência da rainha francesa em Damietta, permitiu que se conseguisse negociar com os egípcios. Luís ficou mais algum tempo e conseguiu salvar o território de Outremer (indirectamente, as invasões mongóis deram o seu contributo), e décadas mais tarde preparou uma nova cruzada, mas morrendo na expedição.
Deste modo terminavam as cruzadas no oriente. Alguns grupos ainda partiram para, mas nunca mais se gerou entusiasmo nem foram preparadas grandes expedições. Rapidamente os poucos territórios que restavam seriam reconquistados pelos muçulmanos.
segunda-feira, agosto 18, 2003
As cruzadas-III
De qualquer modo, nos anos seguintes, com a euforia da vitória, mais voluntários seguiram para oriente. Os contingentes seguiam por nacionalidades, continuando pouco organizados. As motivações eram variáveis: se alguns pretendiam obter novos feudos, ou redimir-se das suas faltas, havia também aqueles que "apenas" pretendiam ganhar batalhas, cobrir-se de glória, bênçãos espirituais, e voltar para a sua terra.
Por volta do ano 1100, nova expedição parte. Chegados a Constantinopla levantam-se discussões com os bizantinos que estavam fartos de ter aqueles vizinhos incómodos que pilhavam a terra, portavam-se de uma forma muito mais brutal em guerra, e ficavam com o que conquistavam (para além das diferenças culturais e religiosas). Entretanto os turcos estavam a unificar-se para tentar fazer face a estas ameaça. Evitando combates directos até ao último momento contra a cavalaria pesada cristã, usaram tácticas de emboscadas. Em Mersivan, esmagaram um dos exércitos cristãos (o dos lombardos e francos) que fora abandonado pelos seus líderes e cavaleiros (que fugiram). Estes foram severamente criticados pela fuga, assim como Alexius imperador de Bizâncio por não ter dado apoio.
Outro grupo, o exército de Nivernais, também foi destruído de forma similar (com fuga de líderes incluído). A expedição da Aquitania, portou-se melhor: ao menos os cavaleiros ficaram a combater e morrer juntamente com o povo. Os poucos que conseguiram, fugiram para Constantinopla. Três exércitos aniquilados em dois meses, enquanto que o pequeno exército de Jerusalém (com o membros da 1 cruzada) derrotava um exército egípcio.
Por alguns anos, não foram pregadas mais cruzadas, e os territórios cristãos no oriente tiveram de se aguentar por conta própria.
Em 1145 é pregada uma nova cruzada por Eugénio III. Desta vez foram reis que responderam ao apelo: Luís VII de França, Conrado da Alemanha, para nomear os mais importantes. Curiosamente, os contingentes flamengos e ingleses acabaram por conquistar Lisboa e voltar para as suas terras na sua maioria, uma vez que eram concedidas indulgências para quem combatia na Península Ibérica.
O exército de Conrado acabou esmagado pelos turcos num momento de repouso. O que sobrou, juntou-se aos franceses e com o apoio dos templários. Com algumas dificuldades de transporte, mais uma vez uma parte do exército teve de ser abandonado para trás (sobretudo os plebeus a pé), e estes tiveram de abrir caminho contra os turcos.
Luís VII e Conrado em Jerusalém depois de algumas discussões acabaram por ser convencidos a atacar Damasco, mas ao fim de poucos dias tiveram retirar perante a ameaça de uma parte dos nobres faze-lo por conta própria. O resultado desta nova cruzada fora miserável (se exceptuarmos a conquista de Lisboa).
Nenhuma nova cruzada foi lançada até a um novo acontecimento: a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Os cristãos enfrentavam um adversário decidido, Saladino.
A III cruzada começava. O imperador Frederico Barbaroxa partiu com um contingente alemão, mas o seu afogamento representou o fim prático desse núcleo. Os reis de França e Inglaterra, passaram o tempo todo a querelar-se, até que aquele se retirou. Se Ricardo coração de Leão conseguiu alguns actos notáveis (a conquista de Chipre, Acre, Jaffa e uma série de vitórias contra efectivos superiores) também não teve pejo em massacrar prisioneiros (incluindo mulheres e crianças). Com Saladino, teve um adversário à altura, combatendo e travando um subtil táctico. Em 1192 acabou-se por chegar a um acordo: os cristãos mantinham o que tinham conquistado e obtinham o direito de peregrinação a Jerusalém (que ficava em mãos muçulmanas).
Se esse objectivo principal falhara, alguns resultados tinham sido obtidos: Saladino vira a sua carreira de vitórias iniciais entrar num certo impasse e o território de Outremer (o nome que era dado aos reinos cruzados no oriente) sobrevivera.
Por volta do ano 1100, nova expedição parte. Chegados a Constantinopla levantam-se discussões com os bizantinos que estavam fartos de ter aqueles vizinhos incómodos que pilhavam a terra, portavam-se de uma forma muito mais brutal em guerra, e ficavam com o que conquistavam (para além das diferenças culturais e religiosas). Entretanto os turcos estavam a unificar-se para tentar fazer face a estas ameaça. Evitando combates directos até ao último momento contra a cavalaria pesada cristã, usaram tácticas de emboscadas. Em Mersivan, esmagaram um dos exércitos cristãos (o dos lombardos e francos) que fora abandonado pelos seus líderes e cavaleiros (que fugiram). Estes foram severamente criticados pela fuga, assim como Alexius imperador de Bizâncio por não ter dado apoio.
Outro grupo, o exército de Nivernais, também foi destruído de forma similar (com fuga de líderes incluído). A expedição da Aquitania, portou-se melhor: ao menos os cavaleiros ficaram a combater e morrer juntamente com o povo. Os poucos que conseguiram, fugiram para Constantinopla. Três exércitos aniquilados em dois meses, enquanto que o pequeno exército de Jerusalém (com o membros da 1 cruzada) derrotava um exército egípcio.
Por alguns anos, não foram pregadas mais cruzadas, e os territórios cristãos no oriente tiveram de se aguentar por conta própria.
Em 1145 é pregada uma nova cruzada por Eugénio III. Desta vez foram reis que responderam ao apelo: Luís VII de França, Conrado da Alemanha, para nomear os mais importantes. Curiosamente, os contingentes flamengos e ingleses acabaram por conquistar Lisboa e voltar para as suas terras na sua maioria, uma vez que eram concedidas indulgências para quem combatia na Península Ibérica.
O exército de Conrado acabou esmagado pelos turcos num momento de repouso. O que sobrou, juntou-se aos franceses e com o apoio dos templários. Com algumas dificuldades de transporte, mais uma vez uma parte do exército teve de ser abandonado para trás (sobretudo os plebeus a pé), e estes tiveram de abrir caminho contra os turcos.
Luís VII e Conrado em Jerusalém depois de algumas discussões acabaram por ser convencidos a atacar Damasco, mas ao fim de poucos dias tiveram retirar perante a ameaça de uma parte dos nobres faze-lo por conta própria. O resultado desta nova cruzada fora miserável (se exceptuarmos a conquista de Lisboa).
Nenhuma nova cruzada foi lançada até a um novo acontecimento: a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Os cristãos enfrentavam um adversário decidido, Saladino.
A III cruzada começava. O imperador Frederico Barbaroxa partiu com um contingente alemão, mas o seu afogamento representou o fim prático desse núcleo. Os reis de França e Inglaterra, passaram o tempo todo a querelar-se, até que aquele se retirou. Se Ricardo coração de Leão conseguiu alguns actos notáveis (a conquista de Chipre, Acre, Jaffa e uma série de vitórias contra efectivos superiores) também não teve pejo em massacrar prisioneiros (incluindo mulheres e crianças). Com Saladino, teve um adversário à altura, combatendo e travando um subtil táctico. Em 1192 acabou-se por chegar a um acordo: os cristãos mantinham o que tinham conquistado e obtinham o direito de peregrinação a Jerusalém (que ficava em mãos muçulmanas).
Se esse objectivo principal falhara, alguns resultados tinham sido obtidos: Saladino vira a sua carreira de vitórias iniciais entrar num certo impasse e o território de Outremer (o nome que era dado aos reinos cruzados no oriente) sobrevivera.
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